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quarta-feira, 21 de maio de 2008

Enquanto a Roleta Roda...

O jogo de Roleta sempre foi meu preferido nos cassinos internacionais. Trata-se de uma mesa verde com uma roda roleta e um display de números em cores alternadas entre vermelho e preto. Neste display se colocam as fichas, ou apostas. Também pode se escolher apostar somente nas duas cores. Uma vez as fichas postas na mesa o “Crupier”, (cara que põe a bolinha na roleta) bota pra rolar. Fortunas se fazem ou desfazem na roda, e tudo pode mudar de uma hora para outra. Mas a roda é mais que um jogo. É uma metáfora para a economia mundial.

Digamos que cada apostador seja um país, e cada numero da mesa também. Podemos também ir um pouco mais longe e pensar nas duas cores da mesa como economias centralizadas(controlada pelo governo), e economias de mercado(de livre iniciativa). Nesta mesa, tradicionalmente, cada país apostava pesado em si mesmo, eventualmente colocando algumas fichas em outro numero, nunca em outra cor. O esforço de cada pais servia como lucro primeiramente dele mesmo. Mas a roleta rodou. E a partir de algumas décadas atrás, esta dinâmica mudou por completo.

Na economia moderna os apostadores jogam cada vez mais em outros números. Apesar de cor, procuram visar o lucro potencial. Alguns jogadores apostam em quase todos, estes chamaremos de superjogadores. Nesta metáfora a bolinha seria, claro, o tempo. E com este tempo é que vemos as apostas renderem, ou não. Eventualmente, os superapostadores têm que impor estrategicamente uma cor sobre algum numero, devido ao potencial de lucro. Mas os maiores conflitos de interesse não se encontram entre as duas cores, pois buscam objectivos diferentes, mas sim entre os números de cores similares.

Dizem que ganhamos um grau de investimento. O que isso significa na realidade? Em nossa metáfora seria o equivalente a uma reputação dada a um numero significando que apostar nele é confiável. Mas como que o mesmo pais que foi votado entre os dez piores lugares do mundo para se conduzir negócios pelo ranking do Banco Mundial em 2007, pode merecer agora tal aprovação na área de investimentos? Parece estranho? E é.

Chega de metáforas! A verdade é que o grau de investimento concedido ao Brasil, não é um aplauso mundial à nossa economia. Se trata de uma maneira dos superapostadores conseguirem liberar fundos para investirem aqui no Brasil. Por se tratar de um país emergente, o retorno pode ser bom. (É meus caros "país emergente" nada mais é que uma maneira bonita de dizer que não tem nada) E já que nosso próprio numero se ignorou por tanto tempo, tem tudo pra fazer aqui. E ai, o que isso significa para o Brasil? Investimento positivo? Talvez, mas imagina o que ganharíamos se o investimento fosse feita por companhias nacionais que pagariam impostos aqui.

E enquanto a roleta roda e os apostadores procuram cada vez mais o lucro internacional, onde esta nosso apostador? Infelizmente, no outro lado da mesa sozinho, apostando no dolár.

sábado, 19 de maio de 2007

Onde encontrar Justiça

Apos semanas de conversa com seu porteiro novo Zé, João Almeida decidiu se mudar para a favela. Largou seu jornal de sábado na mesa de seu escritório de cinqüenta metros quadrados, pegou seu troféu de golfe amador no Itanhanga, e partiu. Ao passar por suas secretarias falou – to saindo – e desceu para a garagem. Foi correndo pra casa em seu BMW Z5 e falou para sua mulher pegar algumas coisas e se despedir da cobertura na Viera Souto.
- Mulher, hoje nos vamos nos mudar.
A mulher de João, Luisa, olhou para a cara do marido.
- E tem mais, esquece suas coisas aqui.
- Você esta maluco João? Como assim se mudar?
-Maluco? Estava! Não estou mais. Me recuso a viver esta vida indigna. Eu falei com o Zé e ele vai trocar de casa conosco.
- O que??? Você esta maluco João! Ai meu deus, Zé quem? O porteiro?...
Luisa começou a chorar e se trancou dentro do banheiro, mas João pela porta continuou a falar.
- Luisa. Todo dia eu acordo cedo e dirijo meu caro ate o trabalho pensando o tempo inteiro ‘será que hoje vão roubar meu caro, ou me raptar’ depois eu chego ao escritório cheio de preocupação sobre o desempenho da empresa. Depois almoço corrido ao mesmo tempo ligando para casa para ver se vocês estão bem. Depois volto pra casa em engarrafamento extremo o tempo inteiro com minhas preocupações me matando. Tenho ulceras de tanto me preocupar. Enquanto isso o governo mete a mão no meu bolso, pior eu abro meu bolso obrigatoriamente, para financiar deus sabe o que. Chego em casa no final do dia para encontrar contas e ao colocar a chave na porta sempre me preparo para a pior das possibilidades. Não agüento mais! Eu estou cansado de ser um babaca me matando para doar dinheiro abertamente às coisas que não funcionam.
Luisa abriu a porta e disse;
- Calma João você esta falando rápido e eu estou ficando com medo.
- Não tenha medo mulher. Simplesmente faca uma mala.
A mulher de João ficou imóvel sentada na cama.
- Mas e nossas coisas? Nossos confortos.
- Ahhh...não se preocupe meu amor. Confie em mim como sempre confiou.
Luisa se levantou e começou a fazer uma mala. Enquanto isso João ligara para seu porteiro pelo interfone.
- Zé... estamos prontos...é isso mesmo... ta bom entoa vou precisar das chaves.
Com isso a família se direcionou à prudente de Moraes e pegou uma van para sua nova casa. As meninas tiveram o maior choque, e Luisa que não cozinhava a anos demorou para dominar o fogão novamente mas João estava em casa. Todo dia acordava lá pro meio dia e sem camisa andava ate a banca de jornal onde teria trocado o globo por o Dia. Em casa dava um tapa na bunda de Luisa enquanto ela preparava o café da manha e se espreguiçava todo no canto do salão que estava designado cozinha. Suas ulceras tinham desaparecido e na primeira semana ganhou o sorteio dos traficantes. O premio, uma geladeira. De tarde descia para o boteco onde ficava contando historias a tarde inteira. Seus vizinhos o achavam maluco de inventar historias de vôos internacionais e reuniões com o presidente da republica. Mas João não se importava. Não pagava mais impostos. Tinha o pacote gato completo e suas filhas com certeza entrariam para uma faculdade publica pelo sistema de cotas. A noite chegava em casa para jantar e logo em seguida assistia a novela com a família inteira.
Problemas? Claro que existiam negativos na situação como tiroteios e invasões de outras facções mais pelo menos lá encima João recebia a qualidade de segurança para que pagava. Zero por Zero pelo menos é justo. Ele não considerava por um sequer segundo voltar àquela vida dele. Lá embaixo ele se estressava, não tinha a quem pedir ajuda e pior pagava para se aborrecer. Aqui não. A vida era finalmente bela. Inclusive a única preocupação de João era como continuar evitando o Zé que queria desesperadamente sua vida de volta.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

As perolas da Experiencia

!!!!!!!!!!!temporariamente sobre revisao!!!!!!!!!

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Dona Hilda e o Jogo

Ao encontrar as portas do bingo arpoador fechadas, Hilda respirou em derrota. Apos anos de vida tinha aprendido a viver com perda. Perdeu o marido, a juventude, a vista, os ouvidos e mais recentemente o gato. Inclusive estava ficando esclerosada como teria notado. A única coisa que restava à senhora eram o Bingo e as taças de vinho com o jantar. Pelo menos ate então. O que faria agora? Oitenta e dois anos eram demais para aprender um novo esporte. Academia, ha! Nem morta. Ate que a idéia finalmente surgiu em sua cabeça- Pois o jogador é um atleta persistente- de jogar nos caca níqueis.
Como faria isso? Durante os próximos dias a vergonha de entrar num boteco foi desaparecendo. Ao olhar o boteco em frente de sua casa tentou varias vezes entrar mas sempre passava uma das senhoras da igreja e viam ela. Depois de horas de falar abobrinha decidiu pegar um táxi para a zona norte onde não seria flagrada.
Chegando no boteco o taxista perguntou se era aquele lugar mesmo, pois Dona Hilda estava vestida como qualquer senhora de um certo nível da zona sul, ate de chapéu. Entrou no boteco e viu que a maquina só aceitava notas de um real. Dona Hilda só tinha de Cem. Com demasiada educação para o local pediu troco ao ‘barman’ e lá se foi.
Teria sido uma salvação para ela não fosse a operação da PM que atingia especificamente aquele boteco. A velha olhando mal via as figuras entrando no boteco, mas conseguiu ver as armas que carregavam.
- Valha me Deus!
Saiu correndo mas tropeçou e caiu desmaiada em frente as maquinas. As moedas e notas foram se espalhando pra lá e pra cá.
Os dois detetives comandando a operação olharam pra ela e um disse pro outro;
- Que coisa triste, uma velhinha aqui dentro.
- Triste? Quem você acha que esta velhinha é ? Pois eu te digo. Vestida assim, com todo este troco nas mãos, e tentou correr... é a própria Bicheira!
Quando finalmente acordou dona Hilda estava numa cela de batalhão deitada no chão. Se levantou com nojo, e pensou – Ih! Puta merda, agora você consegui Hilda acordou numa cadeia.- Desorientada e sem idéia de como tinha chegado lá, simplesmente se ajeitou no espelhinho e sentou com as pernas cruzadas esperando alguém vir. Os detetives no outro lado do espelho de interrogação comentavam;
- Olha a frieza dela. Esta vai ser difícil de quebrar. Não fala nunca.
- Porque você diz isto?
- Viu como acordou parecendo que nem se importava com a prisão. Simplesmente ajeitou o cabelo e senta ai como uma pedra.
- Quando vamos falar com ela?
- Esperaremos um pouco, vamos deixar ela começar a suar. Deixemos que ela precise de algo assim podemos ter uma vantagem quando conversando.
Dentro da cela as horas passavam e Dona Hilda ficava imóvel, ate dormindo as vezes sentada como tinha aprendido a fazer com os anos. Os detetives por outra mão estavam apertados para ir ao banheiro, com fome e sede e não agüentavam mais. Entraram já enfuriados na sala.
- Então você acha que jogo não é um problema?
Hilda acordou abruptamente e meio bêbada do sono respondeu
- Não tem nada errado com o jogo. O único problema são aqueles burocratas idiotas fechando os Bingos.
- Ah então você defende os bingos também, Você tem parte neles?
- Meu filho eu tenho parte neles sempre que posso.
- Qual deles?
- o do Arpoador.
- Eu sabia. Sabia que você não era uma qualquer.
Dona Hilda se ofendeu. Apesar de não ter idéia nenhuma de quem ele era e onde estava ou do que estava se falando defendeu seu caráter com uma lagrima no olho;
- Eu não sou uma qualquer não. Eu tive uma vida muito ativa. Criei, lutei, e consegui ser sucedida. Tive dificuldades. Todos nos tivemos. Mas hoje sou orgulhosa de ter vencido os maiores obstáculos.
Na outra sala de novo os detetives se davam parabéns. Tinham pego uma grande chefe de quadrilha admitida. Era promoção para todos. Arranjaram as burocracias e logo a senhora estava no tribunal. Lá apos vexames, rebaixamentos e ate demissões, Dona Hilda voltara a sua casa onde apos alguns dias nem se lembrava mais do ocorrido.
Se levantou normalmente apos o almoço, botou comida para um gato que não existia mais e prosseguiu ao bingo arpoador onde não ao maior espanto, entrou e jogou a tarde inteira.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

MInhas conchas de crianca

Este sábado decidi ir à praia procurar conchas. A muito tempo não faço isso. Quando eu era criança costumava catar conchas na beira do mar e trazer-las para minha mãe. Ela brincava que se eu não parasse de catar tanto elas iriam acabar. Eu ria e continuava. Era a maneira dela controlar a quantidade de conchas que teria que carregar pra casa. Mas para mim as conchas eram inaliáveis. Ao crescer continuei procurando conchas, mas somente pro meu bolso. É esquisito. Isso eu sei, mas algo me faz pegar elas, e alem do mais é algo a fazer na praia.
Ao chegar na praia a água estava prístina. Sentei em minha cadeira um pouco e pedi um mate antes de iniciar minha caça. Olhei e olhei mas este ano não encontrei mais de uma meia dúzia antes de desistir. De volta em minha cadeira comecei a pensar na minha maior aventura.
Desde criança sempre quis ser um pescador. Aos quatorze anos assistindo um destes reality-shows, vi que na Alaska um homem pode trabalhar como pescador de caranguejo sem nenhuma experiência. Que sonho bom. Imaginava o primeiro dia abordo um barco daqueles nos mares gelados do norte do mundo. Pelo programa fui informado que os pescadores trabalhavam no barco por as vezes cento e oitenta dias. Enquanto imaginava a vida no mar podia quase sentir o gosto da água salgada nos meus lábios. Não demorei muito para me inscrever.
Depois de pouca pesquisa e dezoito anos de vida só levou uma semana para encontrar uma embarcação que me contrataria. Marquei com o capitão de nos encontrar numa dinner americana em Anchorage, Alaska. Aquela tarde o capitão do ‘Forrester’, navio em qual satisfaria minha curiosidade por uma vida cheia de mistério e aventura, me explicou como as coisas funcionariam. No final de nossa conversa ele me avisou que não sabia quanto tempo a temporada duraria aquele ano dizendo que os efeitos do aquecimento global tinham alterado as áreas de pesca e estava muito difícil encontrar caranguejos. Me lembrei de sites em que tinha lido sobre os grandes pescadores do século dezenove que perambulavam os mares por as vezes ate quatro anos. Mas não me espantei. Eu ia com os ventos naquela época.
Inclusive só fiquei espantado quando nossa temporada acabou depois de três dias. Perguntei a todos o que tinha acontecido, mas ninguém sabia. Fui descobrir depois que de acordo com as leis do sindicato dos pescadores, se não tivesse uma quantidade especifica de caranguejos por dia nos barcos a temporada acabava. Ninguém achou caranguejos. O capitão de meu barco berrava palavrões e quebrava seu gabinete enquanto eu como o resto ficava em silencio. Ao voltar pra casa infeliz e cansado decidi pesquisar os fatos.
O mundo como muda. A menos de cem anos atrás as embarcações de caranguejo ficavam meses no mar voltando cheias. Agora, três dias e já desistem. O mar estava cheio de peixe antigamente. Pode ser falta de sorte. Pode ser uma alteração real causada pelo aquecimento global. Eu não sei o que mudou pois não sou cientista. Mas algo, sim, mudou.
Hoje enquanto sento na minha areia de Ipanema, olhando o azul e verde penso só em minhas conchinhas amarelas. Fico pensando pra onde elas foram como os caranguejos que derrubaram meu sonho. Penso nos danos que as vezes fazemos sem saber. Mas no final do dia tomo meu mate e sorrio um pouco pensando , mamãe estava certa; elas acabaram.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

As aventuras de Dom Antonio

Antônio Lars era um homem altamente compulsivo. Tinha sua rotina sagrada que incluía as atividades da manha, trabalho, jantar em casa entregue sempre pelo mesmo restaurante, e cama as nove em ponto. Seu único amigo era o porteiro Severino com quem falava todo dia por dois minutos. Ao marcar sua viagem o informou imediatamente para garantir que suas plantas seriam aguadas.
- Severino amanha vou viajar para Frankfurt com escala em Sao Paulo e Madrid.-
Com a cara de retardado que só o Severino sabia fazer e sem nenhuma ideia de onde ficava Frankfurt ele disse:
-Tabom Seu Antônio. É só deixar as chave que eu dou agua as plantas-
Na manha da viagem não quebrou nenhum de seus hábitos. Antônio acordou as cinco horas em ponto (em seu apartamento impecável) e ligou a maquina espanhola de café que já continha exatamente 4 gramas de café, enquanto tomava banho. Seu banho de exatamente quarto minutos lhe deixava um minuto para se secar enquanto o café ficava pronto. Saindo do banho numa linha continua ele pegava o café, abria a porta de casa para apanhar o jornal e se sentava em sua varanda. Cruzava a perna direita sobre a esquerda e lia o jornal ate exatamente as oito. Era um homem exato.
Depois de ajeitar tudo com Severino se despediu e saiu para o aeroporto pouco depois do meio dia. Sua viagem demorou pela observação de Antônio quarenta e dois minutos. Ao chegar nem notou a bagunça no aeroporto como tinha se acostumado a fazer para preservar sua sanidade. Com toda a calma e elegância que faltava no ambiente ele em seu terno azul, cabelo colado pra tras e carregando um guarda chuva como uma bengala andou até o balcão e disse simplesmente:
-Eu gostaria de fazer o check-in por favor para o vôo das seis saindo do Rio de Janeiro para Frankfurt com escala em Sao Paulo e Madrid. -
As atendentes do balcão, como o resto do aeroporto que não tiravam seus olhos do Antônio, se entreolharam por um segundo com um sorriso.
-Desculpa senhor mas não começamos a fazer check-in para este vôo ainda. Se o senhor quiser se sentar, devemos começar às quatro. -
O esforco de ficar parado no meio daquelas pessoas mal educadas jogadas pelo chão, foi todo desperdicado pois as quatro as cinco e as cinco e meia a resposta foi a mesma. “Só um pouquinho mais, senhor.” As cinco e quarenta e cinco ele voltou outra vez ja sem a calma e a tranquilidade que sempre carregava nos olhos.
-Madame, por favor, gostaria de fazer o check-in para o vôo das seis para Frankfurt com escala em Sao Paulo e Madrid. São cinco e quarenta e seis pelo seu relógio e vou perder meu vôo das seis. -
- Ninguém te falou não? Tá tudo atrasado. Você não vai perder nada! -
A gota de suor que apareceu na testa de Antônio ao ouvir estas palavras pareceu ser a ultima gota. Ele levantou o guarda chuva e começou a gritar,
-Vocês estão de brincadeira! Não sei como vocês podem fazer isto comigo! Isto é uma desgraça! Deviam estar envergonhados de trabalhar para esta companhia-
A atendente tentou explicar que não tinha nada haver com a companhia, que era devido ao apagão aéreo, mas a voz de Antônio não parou um segundo para ouvir-la. Logo uma platéia formou-se atras dele com seus gritos de protesto. Antônio continuou.
- Eu estou aqui há horas!-
- ?????-
- Vocês são umas idiotas com seus chapeuzinhos falando mais um pouquinho, mais um pouquinho…-
- ?????-
A situação ficou feia. Antônio tinha começado um protesto serio, e as atendentes do balcão não sabiam o que fazer. Não fossem os guardas que tinham se mobilizado para garantir a segurança nos aeroportos, teria dado guerra. Quando começaram a espancar o Antônio viram que o problema era maior que pensavam, pois um perfeccionista é como uma rocha só desiste morto. Antônio perdeu a briga mas a luta que ele fez usando o seu guarda chuva como uma espada contra s guardas foi épica. Quando finalmente arrastaram ele do salão do aeroporto os outros passageiros ouviram sua voz desaparecer…
- Eu tenho que embarcar no avião das seis para Frankfurt com escala em Sao…-
Varias brigas depois o soltaram no aeroporto. Antes de ir embora foi ao balcão da companhia aérea e lhes informou que nunca mais viajaria por aquela companhia.
Pelo menos não quebrou sua rotina. Às cinco horas do dia seguinte estava de pé e continuou como se nada tivesse acontecido. Saindo de casa encontrou o Severino na porta e explicou a situação dizendo:
- Já que não vou a Frankfurt você não precisa dar agua as plantas-
E Severino respondeu
- Porque que você não pega um ônibus, chefe?-

Pedro Widmar

terça-feira, 10 de abril de 2007

" O "

Recentemente assistí um programa sobre o desenvolvimento da fala. Desde então refleti muito sobre a vida do homem selvagem. Especificamente, imagino a cena dos homens pre-históricos que decidiram abandonar suas cavernas para a vida no campo. Imagino se deram qualquer importância à formulação das primeiras palavras que substituíram os ruídos com qual se comunicavam. E apesar das línguas do mundo terem evoluído com tanta complexidade que permitem que uma palavra como “independentemente” seja formada, alguns ruídos perseveraram até hoje. E alguns desses ruídos pequenininhos quase minúsculos incitam efeitos de proporções gigantescas. Tal é o caso do “ó” que destruiu a harmonia na minha família.
O “ó”, um ruido que potencialmente serviu para conseguir a atenção de uns ou expressar alegria de outros, ainda hoje pode servir para muitas coisas. O comando “olha ali”, ou “preste atenção” etc. Mas quando minha vó o usou uma noite durante o jantar a intenção não foi nada tão pacifico.
Tudo começou num jantar onde meu avo tinha convidado seu melhor amigo Ernesto para jantar conosco. Enquanto jantava ele conversava com Ernesto sobre sua família e o orgulho que tinha de seu trabalho por eles. Mas minha vó que tinha que ser o centro das atenções sempre, nao permitiu seu display de orgulho.
- Ernesto, posso te dizer que o maior prazer que tenho nesta vida são meus filhos e netos.- Ele nos introduziu por nome como costumava fazer.
- Otávio (meu avô) você tem uma família linda. E que netos preciosos. Você realmente merece.
- Eu não contestarei isso. É verdade. Trabalhei tanto, e me dediquei tanto para eles que acredito que mereço agora ver eles todos crescerem em paz.
-Ó- soltou minha vó do outro lado da mesa. Como se tivesse escapado mas de proposito.
- O que foi Gilda?- perguntou meu avô, com sua cara ficando vermelha.
- Até parece que você deu duro. Eu que alimentei, criei, lavei roupa, cozinhei, você não fez nada. -
Este tipo de argumento da minha vó era comum apesar dela ter baba, cozinheira, empregada e todos os luxos disponíveis para uma família ela sempre menosprezava o trabalho dele. E ele sempre caia no argumento, por isso todos nos ficamos espantados quando a cara dele caiu. Mas nenhum de nos ficou tão chocado quanto minha vó, quando ele virou e disse
- Ah Gilda, vai a merda! Já que você é tao guerreira pode ficar com esta vida.-
Quando ele saiu pela porta foi a ultima vez que o vimos. Naquela época não entendi muito bem o que tinha acontecido mas pela cara do senhor Ernesto que estava congelado com uma colher de sopa suspendida no ar enfrente a sua boca, eu sabia que nao era nada bom. E hoje após muita consideração vim a conclusão que foi aquele pequeno “ó” que quebrou as costas do camelo, como dizem.
Ó. Uma palavra tao pequena com efeito tão poderoso. Quem não viveu um momento desses nao deve nem acreditar. E é difícil mesmo ver como as vezes o menor barulho ou ate um olhar pode entregar um bofetão tão grande. Penso nestas coisas esquisitas com frequência. E enquanto penso nisso tenho que duvidar se nao foi um próprio “ó” que fez o homem sair andando da caverna.

Uma por Uma

Depois de meses longe de casa finalmente voltei ao interior para uma festa de aniversario num terreno em Secretario. Logo apos as primeiras cervejas e um comentário passivo sobre a beleza do terreno, começou um debate inflamado sobre o meio ambiente. Um lado defendia a dependencia do mundo em matérias primas enquanto o outro indignado fazia exclamações sobre a necessidade de preservar ou reverter os efeitos nocivos do homem no planeta. Eu como sempre fiquei mais como espectador do que participante. O General, anfitrião da festa, ficou igualmente calado, mas quando finalmente falou foi para encerrar com estilo. Com simples palavras ele desembrulhou “Um homem que nunca plantou uma arvore, é um ser humano incompleto.”
A expressão “caiu a ficha” nunca descreveu tão bem uma situação. Todos calados, introspectivos. Eu olhando o general e o General olhando seus filhos, netos e bisnetos. De repente ele se levantou e disse firmemente “Com licença, mas agora vou deitar.” Depois de ele partir da mesa os convidados continuaram a conversar sobre vários aspectos mais eu não pude continuar na mesa. Tinha me caído um raio na cabeça. As palavras do general não poderiam estar mais certas. Se cada um plantasse uma arvore, pensei, como o mundo melhoraria! É o que nos falta para completar o circulo da corrente de nossa existência. Retribuir algo ao planeta por seus vários presentes. Eu estava determinado. Aquela semana plantaria uma arvore.
De volta na cidade me informei sobre a loja de um português que teria mudas de arvores exóticas. Confesso não entender muito destas coisas mais eu não aceitaria uma arvore qualquer. Eu queria que a minha fosse especial.
Entrando na loja meio tarde e com toda a paixão que se precisa para invadir um continente vi um senhor emaciado nos fundos de cara para a parede, sem duvida trabalhando.
- Boa noite. Quero uma arvore.-
Devo ter falado alto, pois o senhor levantou suas mãos e virou pra mim bem devagar.
- Aqui não tem dinheiro meu filho.
Eu envergonhado tentei acalmar-lo mas cada palavra que eu dizia parecia espantar-lo mais. Ele começou a chorar. Não sabia o que fazer. Decidi sair correndo.
Dias depois e vários metros de desvio para não passar em frente à loja do pobre senhor a quem eu fiz chorar, encontrei finalmente uma muda de arvore qualquer e a comprei. E agora. Onde plantaria aquela muda? Não tenho terra, nem sitio. Fiquei olhando aquela muda quase meia hora antes de resolver o problema. Eu esperaria o meio da noite, e em algum lugar, alguma praça eu plantaria minha arvore, Tereza. Eu tinha que plantar esta arvore. Desde a hora que o general tinha dito aquelas palavras sentia um vazio que nunca tinha sentido antes. E apesar disto o meio ambiente precisava de arvores para normalizar. Todos ganhavam.
Tinha me equipado todo para escalar a grade da praça Nossa Senhora da Paz. Ali plantaria minha homenagem à natureza. Quando o alarme tocou a meia noite sai de casa com minhas roupas mais usadas. Depois de quatro voltas na praça para evitar flanelinhas consegui finalmente encontrar um ponto na grade onde mendigos tinham quebrado as espadas de cima para entrar com facilidade. Facilidade relativa pois me quebrei todo para conseguir passar para dentro mais minha arvore resistiu à tentativa. Estava quase lá. Ultrapassando os patos e me enfiando numa parte bem escondida dos arbustos comecei a cavar. O cheiro das pessoas dormindo a meu lado não me faria desistir hoje. Hoje eu era um homem com uma missão. Estava quase terminando de cavar quando a luz bateu na minha cara.
- Que tu ta fazendo ai?-
Congelei.
- Ei vem aqui seu vagabundo.-
Achei o termo meio severo, mas só então notei que estava vestido como um vagabundo mesmo e tentei explicar.
- É confusão senhor. Eu só estava…-
O primeiro policial virou para o segundo e disse.
- Esse ai tem cara daquele suspeito de assalto, tem não?-
- Eu? -
- Encaixa perfeitamente –
Os dois botaram as mãos nas armas e me disseram para colocar minhas no ar. Ali eu estava, no meio de mendigos, coberto em lama, vestido como um vagabundo sendo preso. Levantei minhas mãos segurando minha arvore e segui suas instruções para os encontrar no portão. Dali fui à delegacia para explicar tudo e finalmente apos provar que não sou nem assaltante nem mendigo consegui voltar para a segurança de meu sofá.
No próximo fim de semana voltei ao sitio do general que mal me reconheceu mas garanto que nunca mais me esqueceu pois entreguei-lhe a muda nas mãos e claramente escolhendo meu lado no debate disse,
“Sabe de uma coisa, salvar o mundo é muito caro pra mim.”

Alo! Alo! (Introducao)

Este blog vai ser somente para expor ideias em forma de cronicas. Espero que voces chorem , riem , e copiem a vontade... mas sempre com meu nome em baixo... ahhahha
Se quiserem postar suas cronicas aqui me mande por email que eu coloco na parte de outros escritores, ou se quiserem debater minhas podem postar em baixo mesmo...

TODAS AS CRONICAS ESTAO AQUI DO LADO LISTADAS POR NOME, TEM MUITO MAIS DO DOM ANTONIO MAS PRECISO CORRIGI-LAS ANTES DE POSTAR....
Vlw
Pedro

 
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