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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Transparência Indesejável

Hoje marca um dia histórico, pelo menos para mim. Como jornalista não é incomum me encontrar cercado por “diehard petistas”, como gosto de os chamar. São aqueles capazes de desculpar qualquer coisa petista ou lulista, custe o que custar. É comum que estes, no maior contrassenso se considerarmos o modus operandi dos dois governos, se declarem anti-Chávez. Pois bem. Então, por que um momento histórico? Porque á partir de hoje terei um argumento claro e objetivo para os mostrar justamente o que tanto defendem nos botecos cariocas.

O governo Lula, além de desistir da intenção de estabelecer uma comissão direcionada ao esclarecimento e possível punição (sinônimo de castigo, para os que já não reconhecem a palavra) das torturas cometidas durante o período da Ditadura, decidiu manter a intenção de monitorar as linhas editoriais e poder de interromper programas.

E agora? Diga-me João PT, o que tens a me dizer.

Quando Hugo Chávez se Recusou A Renovar a licença da RCTV em 2006, a casa caiu. Para começar todos chamaram de cancelar a licença: O velho jogo das Manchetes. Logo mais começaram as acusações – discursos dos mais vigorosos denunciavam o tirano, ditador, etc. Mas poucos param para ver a lógica, ou pelo menos a profundidade da questão.

Em um documentário já batido no meio jornalístico, A REVOLUÇÃO NÃO SERÁ TELEVISIONADA, se mostra tentativas deliberadas da RCTV durante o golpe de 2002 na Venezuela de enganar os espectadores sobre o que se passava. Ângulos seletivos de filmagem chegaram a inventar um tiroteio entre os que apoiavam Chávez e o “público indefeso”, que na verdade era uma rua vazia. Diante tais ações cometidas por uma emissora poucos dos paises desenvolvidos, se algum, teriam permitido a emissora a voltar a funcionamento pleno no dia seguinte, muito menos por quatro anos, como foi o caso da Venezuela.

Mas deixando de lado a consideração de mérito desta ocasião, podemos afirmar como cidadãos do vigésimo primeiro século que qualquer ação pré-orquestrada para prevenir o exercício pleno da liberdade de expressão é incoerente com os princípios da sociedade moderna. Afirmar por lei o poder “monitorar a linha editorial” constitui tal ação.

Não pretendo defender Chávez, nem crucificar os demais. Exponho aqui somente uma opinião: No fundo, no fundo, é tudo farinha do mesmo saco. Afinal, são todos governantes, e se diferenciam como tal. E nós, meus caros, somos apenas o povo. E é como povo que expresso, como ainda é meu direito, que hoje, neste novo ano, nosso governo se mostrou transparente, transparentemente retrógrado.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

IOF no Reino da Dinamarca

Enquanto o mundo se preocupa com balões e outros tantos, a recente e talvez polêmica IOF é causa das manchetes de economia. No suposto interesse de manter o Real fraco contra o Dólar nosso governo tem assumido uma posição preocupante diante a queda da bolsa. Mantega, nosso ministro vaselina, chegou a explicar que “um excesso de capital no mundo poderia causar uma bolha na nossa Bolsa” (como visto n’O Globo 21/10). A taxa inibiria a entrada demasiada da moeda estrangeira.

Traduzido do economês, taxar os Dólares que entram diminui a quantidade destes o que o fortalece no território nacional ao mesmo tempo enfraquecendo o Real. A idéia é fortalecer o investimento direto e tira-lo da bolsa.

O problema é que no Brasil, que somente se industrializou a menos de oitenta anos, ainda não se desenvolveu uma cultura de investimentos forte. Estes em grande parte foram feitos por esforços estrangeiros ou com capital destes. No momento o país encara uma era de grandes investimentos (pré-sal, olimpíadas, copa...) e uma taxa sobre a moeda estrangeira, que dificilmente inibira sua entrada, pode causar o efeito indesejável de constringir o investimento domestico. Isso devido ao Real fraco no território nacional que não conseguirá competir com capital estrangeiro. E se conseguir, há algo podre no reino da Dinamarca...

Também existe como tem sido praxe com nossos governos o risco comodismo. Uma taxa sobre os dólares que entrarem será uma forma de lucro certo, o que pode levar, como foi o caso em tantos outros países emergentes, à falta de ação interna. Ao pé da letra significa que se o governo receber o imposto por fazer nada, não terá interesse em melhorar a situação para o investimento nacional. Terceirização do crescimento.

As políticas econômicas neste país surgem de trás de uma cortina de seda, aparentemente calculadas estrategicamente visando o futuro do país. Mas como já foi dito neste blog mais se parecem com balas perdidas, soltas sem meditação ou o devido debate público. Isso em parte se deve ao publico que pouco se interessa pela economia do estado e raramente sabe para onde vai o dinheiro que contribui. Por outro lado é categórico de um estado de um líder carismático que é tratado como herói do povo ao invés de administrador eleito. Mas este é outro texto.

Deveríamos analisar os próximos anos com cuidado e paciência, pois nossas atitudes economicas agora definirão a situação das gerações porvir.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Estado do Sitio

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­­Zelaya meu caro Zelaya

Está ai um cara que realmente conseguiu um ato inédito beirando milagre: rejeição Norte-americana de um golpe de estado na América Latina. Merece premio, neh? Que tal um Oscar? Ou talvez beatificação...

Panem et Cicernes: Uma receita desastrosa

Petro-sal. O mundo de negócios não fala em outra coisa. É só adicionar uma Olimpíada e 10 minutos no microondas que o público está novamente convencido que o Brasil é o país do futuro. Com segue a velha piada, sempre será. Acontece que por incrível que pareça, existe um extenso acervo de estudos sobre os efeitos políticos e econômicos dos paises onde se encontrou reservas de petróleo. Se chamam (veja só tem até nome) Rentier States. Incrivelmente, nenhum deles se encontra hoje em condições de maior desenvolvimento econômico, político ou social. Inclusive, sem exceção continuam todos onde estavam, alguns piores. Por que? Divide et impera. Mas levando em conta o modelo básico de negócios, podemos ter certeza que não interessa aos gigantes do petróleo ter maior oferta do que demanda. Food for thought.

Coincidentemente, existe um estudo feito por uma jovem Iraquiana Nila Alahmad chamado “The Politics of Oil and State Survival in Iraq (1991–2003): Beyond the Rentier Thesis” que seria imprescindível para quem quiser entender melhor os sintomas dos Rentiers. Cobre a historia política/econômica do Iraque durante os 10 anos antes da invasão. É um trabalho bastante esclarecedor neste sentido e também sobre a invasão. Para quem tiver tempo...

Diário da Colônia

Mais uma vez na colônia de Santa Cruz degustamos uma inversão dos valores republicanos. Alguns talvez se lembram quando diante a “ousadia” do juiz Fausto de Sanctis de prender Daniel Dantas, que hoje já não faz mais capa de jornal, o Presidente da STF deu um salto para os microfones para defender o Danielzinho. Isso num caso criminal, e claro, se apressando no tramite judicial para intervir. Afinal, coisa importantíssima. Enquanto isso, um ano e tanto depois, o presidente da câmara dos deputados ignora ordem do STF para divulgar dados sobre a verba indenizatória à Folha e o que acontece? Nada mais nada menos que o resultado “inesperadississimo” do velho faroeste de cabeleireiro: Papo pra lá, papo pra cá. Resumindo, o caso de um homem requer intervenção imediata da corte suprema, enquanto a transparência de gastos públicos que potencialmente revelarão danos a todos nós, nem tanto. Ou seja, 200 milhões de brasileiros não valem um Dantas.

Entre as varias estipulações postas por Rousseau para a existência de legitimidade do Poder está o preceito de igualdade formal entre os homens, isto é política e jurídica. Mas o que ele sabia...

WQS

Para quem se interessa, a etapa de surf carioca do WQS (qualificadora mundial) patrocinada pela Oakley está congelada. Acontece que apesar dos subsídios substanciais, inclusive do Metrô do Rio que sempre alega falta de recursos para adiantar suas obras, o mar não colaborou. O dia ontem fechou sem ondas, causando a 20a bateria a ficar esperando na areia, antes de ser dispensada. Tudo indica que teremos a continuação do evento até quinta. Boas ondas.

sábado, 26 de setembro de 2009

Rio em… Van

A ação do governo do Rio para inibir o uso das Vans me fez reconsiderar a situação destas. Usufrutuário do transporte publico, fico indignado quando vejo as vans cometerem escandalosas infrações no transito, ou acampadas “ala centúria” no ponto dos ônibus, impossibilitando a parada destes. Mas após reflexão sou obrigado a admitir que sempre abordei a questão com um certo preconceito. As vans trabalham na ilegalidade, não contribuem, não respeitam os transito, não têm regulamento- pouco a pouco todos meus argumentos se desmancharam diante de uma nova abordagem. Eis o que da questão...

Volta e meia sou obrigado a ouvir discursos sobre a redistribuição de renda, como se fosse possível tal artimanha por meios diretos. Inclusive a expressão por um todo não passa de slogan político, esvaziado pela frequencia de uso. Redistribuição de riqueza somente ocorre com a redistribuição de posse dos meios de colher riqueza ou com vontade publica contra o privado, duas coisas que no Brasil não acontecerão tão cedo. Tal impossibilidade é demonstrada pelo sistema de transporte público que se encontra nas mãos dos 47 donos de empresas que controlam os ônibus no Rio.

Quanto será o lucro das empresas? Não consegui encontrar, mas sei que um motorista de ônibus ganha uma miséria, contador igualmente. O lucro de operar uma van pode chegar a triplicar o estipêndio. Ou seja, trocando empresas de ônibus por vans autônomas, ocorreria uma redistribuição de renda direta da noite ao dia. Isso se não houver um bando de laranjas à frente de um novo monopólio de vans. Também seria melhor para o meio ambiente uma vez que as vans andam à base de GNV. Parece claro demais, não? Mas e o transito, como ficaria com tantas novas vans?

O bom da van é que além de ser um veiculo menor, também seria autônomo. Ao contrario das empresas de ônibus que podem sustentar suas frotas andando vazias pelas ruas o proprietário autônomo não. Ou seja, o mercado de vans se auto-regularia, um caso de oferta e demanda clássico. Pelo mesmo principio, os preços cairiam, uma vez que a competição direta levaria à procura por melhorar o serviço.

Deslocamento de trabalhadores seria o menor problema uma vez que cada dupla motorista/cobrador poderia simplesmente assumir uma van. Seria até negocio para a economia uma vez que o governo poderia disponibilizar através dos bancos o credito para a compra dos veículos, todos com GNV. E a produção de carros...etc. etc. etc.

Então pergunto: Por que diante de fatos tão simples de entender, num país como o Brasil onde a classe intelectual esquerdista profere tanto a tal redistribuição e a classe popular igualmente, consegue-se passar uma medida política que tão obviamente anda no contrassenso da tendência?

Resposta: A razão é que os interesses do velho “clube dos meninos” continua a prevalecer na esfera política do Rio. Sem educação, saúde, ou ordem publica, o sol gira diariamente sobre uma cidade onde a luz se recusa a acender.

sábado, 13 de junho de 2009

Intrigas do Estado

O nível de paixão demonstrado por Russel Crowe em suas considerações à blacktree.tv (veja abaixo) sobre os vícios praticados na grande imprensa e o atual estado da midia, transcender ao telão no seu novo personagem. Em Intrigas do Estado (State of Play no original) Crowe interpreta o repórter Cal Mcaffrey, que através uma coincidência de eventos encontra uma relação entre dois episódios aparentemente distintos, assim desvendado uma conspiração de tamanhas proporções. Viu não dei nada. Apesar do trama se basear numa coincidência como premissa, o filme é relativamente seco no uso das rotineiras absurdidades do cinema hollywoodiano. Em lugar do slogan tão previsível que colocaram no filme- Find the Truth - sugiro outro: conspiração, carnuda e suculenta.

Como muitos ao meu redor, fiquei em estado permanente de arrepío após os primeiros vinte minutos do filme. Na base de um roteiro sólido, o que duvidei nas primeiras seqüências, o diretor Kevin Macdonald construiu um longa altamente cativante, mesmo que algumas das atuações foram fracas e por vez ou outra inacreditáveis.

Mesmo assim tenho que admitir que o filme revelou uma grande surpresa. Enquanto Helen Mirin, que em nada parecia com uma editora de jornal impresso, atentou contra o pudor numa interpretação merecedora do Razzie, e Rachel Macadams solidificou sua marca mais firme como atriz, a inconstância, Ben Affleck se redimiu totalmente como ator de grande calibre. Além de uma participação secundaria sua interpretação 'contida, mas precisa', lembraram a atuação spetacular com que o astro primeiro veio aos holofotes em Good Will Hunting. Talvez um sinal que Affleck está de volta ao nível de Hollywoodland (2006). O ator teve êxito até em seu uso do sotaque virginiano (difícil de reconhecer e mais ainda de interpretar). Mas sem duvida o premio vai a Crowe, que novamente se transformou integralmente incoporando traços carateristicos da essência do jornalista em sua interpretação.

Contudo, como filme de jornalismo Intrigas de Estado está à altura de outros como Todos os Homens do Presidente, Boa Noite e Boa Sorte, e O Informante, apesar de ser ficticio.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O Cerco Aperta

            Os prisioneiros de Guantánamo estão em posição precária. O partido democrata dos EUA anunciou que não liberará a verba necessária para fechar a prisão de Guantánamo (não a base naval, como muitos acreditam). Acontece que ambos partidos no congresso requerem detalhes meticulosos sobre o assunto antes de decidirem a questão. O maior empecilho atualmente é onde colocar os suspeitos de terrorismo.

            Por mais hipócrita que possa parecer, os dois partidos do congresso se manifestaram veementemente contra abrigar os prisioneiros em solo americano. A razão dada ao público: medo, como sempre. Os senadores expressaram preocupações de que abrigar os detentos nos EUA, até em prisões de segurança máxima, aumentaria o risco de ataques terroristas. Engole quem conseguir.

            Tenho minha duvidas de que o medo real dos atuais governantes, não é de ataques terroristas, nem da minúscula possibilidade dos detentos escaparem. O medo real de qualquer governo que se diz democrático é, ou pelo menos deveria ser (ex. Brasil), sempre o mesmo: a opinião publica. Afinal, imagina as repercussões de constantes protestos enfrente às prisões por grupos humanistas, e cidadãos indignados com a guerra. Out of sight, out of mind. 

            Na prisão da base naval de Guantánamo, litoral sul da Cuba, os prisioneiros aguardam esquecidos pelo tempo. Os debates políticos, assim como a investida de grupos de direitos humanos e algumas publicações, contra as detenções não têm a mínima chance de gerar qualquer conclusão enquanto não se abordar a questão essêncial.

            Que direito tem os EUA de deter estes homens? Contra quantos deles existe sequer uma prova incriminadora? 

           O documentário Caminho para Guantánamo mostra claramente a arbitrariedade com que tantos destes homens foram capturados. Pode se argumentar que se trata de um caso isolado, mas quantos outros decorreram das mesmas normas usadas para capturar estes “terroristas?”  

            Então, onde vão parar estes detentos? Será que o governo Obama vai ter que recuar novamente em suas tentativas contra a situação herdada em Guantánamo?

domingo, 17 de maio de 2009

Operação Solução Alheia

            Esta semana voltei a surfar após três meses fora. Sentado numa prancha no mar a vista da cidade é única. Imagino que somente uma fração dos que moram nesta cidade a conhecem assim. Mas mesmo diante das belas sombras dos prédios da Vieira Souto que estampam a praia, não consegui evitar certa tristeza. A floresta dos dois irmãos, que há dois anos adornam o logo deste blog, está desaparecendo rapidamente.

                A favelização do espaço urbano que já devastou alguns dos mais lindos- sem dizer mais caros- pontos da cidade, agora sobe os pés dos irmãos como uma gangrena irreversivel. A vista do calçadão ou mesmo da praia, não mostra o real agravo.

Me pergunto, a fiscalização é realmente tão precária que não é possível impedir as construções? Existe fiscalização? Diante deste quadro começo a concordar com a ideia dos muros que encantou tantos cariocas.

            Mas talvez antes de simpatizarmos com medidas tão drásticas, deveríamos ter uma segunda opinião. Afinal sem conhecimento não tem planejamento, e sem os dois nenhuma ação renderá frutos. Pode ser por pura ignorância, mas não consigo pensar em país algum que tenha lidado com uma situação destas, pelo menos com qualquer sucesso. Não é como a solução das bicicletas de Paris que o Sergio Cabral pôde copiar (dá inveja os problemas deles). Nesta linha de pensamento concebi a Operação Solução Alheia (a PF já tomou os nomes bons).

            Na primeira etapa da operação mandaríamos alguns milhares de brasileiros gradualmente aos EUA. Sugiro entrada pela fronteira do México, afinal qualquer coisa entra por lá, menos mexicanos. Tinha pensado numa lista especifica de candidatos, mas creio que o STF precise de um presidente para funcionar, portanto podem ir os servidores públicos, que aparentemente é o que não falta por estas partes, especialmente no senado. Ao chegar, nossos brasileiros tomariam o morro de Hollywood. Lá secariam suas roupas nas celebres letras que vigiam a cidade, montariam seus barracos, e teriam as tarefas de devastar a mata e ocasionalmente perderem umas balas- quantia a ser definida pelo Ministério de Planejamento, Orçamento, e Gestão. Claro, tudo financiado pelo bolsa família. Pronto, agora é só observar.

            Uma equipe mista de sociólogos e parentes de políticos (necessários em qualquer projeto brasileiro) vão analisar como os Estates lidam com o problema, detalhando cada passo num dossiê, muito como o da Dilma. E vapt-vupt!!! Teremos nossa solução.

            No final das contas é só imitar o que fazem lá. Afinal, esta estratégia já antiga tem dado tão certo aqui...

domingo, 15 de março de 2009

Novidade, em termos...

Barack Obama assinou uma ordem executiva que permite a pesquisa de células tronco embrionárias e que o departamento de Health and Human Services patrocine tais estudos. A questão divide o povo. Um lado (41%) usa o argumento conservador, o outro ( 52%) defende as pesquisas na esperança de novas curas. Os méritos não me importam. De qualquer forma é um passo monumental para a ciência nos EUA.
Pelo menos foi o que pensei até descobrir que o decreto de George W. Bush contra o uso das células em 2001, pouco afetou a legislação estadual no país. Isso mesmo. Na realidade os estados de California, Connecticut, Illinois, Maryland, Massachusetts, New Jersey, New York e Wisconsin não só passaram legislações na época legalizando as pesquisas, como de fato produziram centenas de linhagens de células tronco embrionárias nos últimos anos.
Mas como que é possível? podem indagar.
A desobediência foi fruta da forma com que Bush proibiu o uso. Na época deu a diretiva em forma de Executive Order(equivalente a Decreto no Brasil), que não tem base explicita em lei constitucional. A ferramenta executiva tem sido debatida durante anos. Bush, que desgastou o artifício durante os dois mandatos, arriscava perda insuportável caso desafiasse a ousadia dos estados nas cortes. Podia chegar ao Supremo e limitar seu escopo de ação. Sendo assim teve que engolir.
Mas voltando ao miolo do pão, porque decretar (sem base legal) algo que já estava legalizado em tantos estados? O sal do molho (gostou?) é que até então fundos federais não poderiam ser usados para as pesquisas. O ato de Obama abriu o caminho para pesquisas de célula tronco com um investimento real. Agora temos que aguardar.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O Vôo da Crise

 Assistindo uma cena de Aviator, filme sobre a vida de Howard Hughes, me surgiu um paralelo entre palavras atribuídas ao magnata e a crise financeira. Na cena Hughes está sendo bombardeado pela retórica da família de Katherine Hepburn. Se defendendo à instigação da mãe da atriz, que ostenta que a família não se importa com dinheiro, diz, “somente porque você sempre o teve.”
    Hughes chegou à beira da falência varias vezes nos seus primeiros anos. E a resposta, verídica ou não, resume bem o caráter do homem, apelidado de Aviador, que durante sua vida trabalhou assiduamente, apesar de ter herdado um império. Mas além da perspectiva que dá sobre Hughes, a frase também aponta à realidade de uma classe e seu comportamento.
    Paul Krugman em artigo para o New York Times recentemente escreveu que os problemas dos EUA estão enraizados no endividamento do povo e sua falta de liquidez. Também adverte que as recentes tentativas da massa de economizar podem levar a uma queda na demanda de consumo. Concordo, mas proponho que esta queda talvez seja inevitável, por outras razoes.
    Descoberto há 500 anos, os EUA é um país novo. Foram cria de um mundo em evolução rápida e substancial. Muito como Hughes, que foi entregue uma fortuna aos 19, o fim da segunda guerra mundial entregou controle financeiro/político do mundo às mãos de um país então adolescente. E apesar de terem controlado o mundo por décadas, a ultima foi marcada por sucessivas derrotas.
    Grandes crises em nossas vidas tendem a nos amadurecer, e com o passar dos anos o Aviador aprendeu a ser eficiente com seus gastos e tomar riscos calculados enquanto construía a maior fortuna de seu tempo. Foi jogado à adultidade cedo e surgiu um homem. Veremos agora que destino terá sua pátria.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Desgraças Semelhantes

    A administração é uma arte. Um grande administrador deve considerar sempre seus objetivos e encontrar um meio termo que agrade todos os lados. Isso as vezes requer a humildade de aceitar pequenas derrotas, ou rever suas políticas anteriores. É assim que defino, pessoalmente, a administração exemplar.    

    Há um mês atrás sentado em um chalé de esqui nos Alpes italianos, eu chorava profusamente. Mudando o canal freneticamente entre a CNN, France24, e a BBC assistia imagens privilegiadas do Massacre em Gaza. Chamo-as de privilegiadas pois nem todos os paises do mundo contam com tantos veículos de comunicação com agencias próprias. Por isso muitos não puderam ver a realidade do episodio. 
    O governo Israelense tem tomado a posição de que a invasão e bombardeio de gaza, que matou tantas crianças, mulheres, e civis em geral, foi um sucesso. Pergunto: Como? Mil vezes, como? Fiquei calado sobre esse assunto durante semanas aqui no blog por temer que minha emoção distorcesse impedisse um discurso objetivo. E por mais que receio ser atacado como isso ou aquilo por minhas opiniões, os recentes discursos de Tzipi Livni não me permitem continuar calado. A ministra de Relações Exteriores ousou exclamar que “a vitória” de Israel deveria servir como um exemplo do que pode ser feito no Oriente Médio. Não posso concordar. Nos meus olhos a tal vitória foi nada mais que um holocausto. O extermínio sistemático durante vinte e tantos dias de uma população que ao passar das décadas foi cada vez mais encurralada em um pequeno território. Tudo isso às mãos de um povo que a pouco tempo sofreu desgraças semelhantes. Como disse Churchill “independente da beleza da estratégia, ocasionalmente deveria se olhar o resultado.” Até onde a lógica pode intervir no bom senso.    Não pretendo defender as violências cometidas pelo Hamas. Muito menos saber como resolver as cicatrizes que sobraram de tantas injustiças cometidas pelos dois lados. Mas me ocorre que não se passa de uma questão administrativa. Acredito que Israel deveria agir como a democracia mais experiente que é, e chegar a um acordo mutuamente agradável para resolver este conflito. Enquanto não enxergarem que o convívio sustentável (termo que deveria ser redundante por principio) se baseia no equilíbrio de satisfação, a paz continuará sendo um sonho. A boa administração requer cedências.
    Diante do discurso da ministra e as recentes ações prefiro me abster de opinar muito além do que já fiz, e assim fecharei o texto relembrando dois ditados. O primeiro do jornalista G.K. Chesterton direciono a tantos veículos do mundo que compraram um lado do conflito cegamente. “Falácia não deixa de ser falácia somente por virar moda”. E por ultimo algo dito pelo ex-presidente dos Estados Unidos Andrew Jackson, “Um homem de valor defende aquilo em que acredita, mas requer um homem ligeiramente melhor do que este para ceder imediatamente e sem restrição quando esteja errado.”

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Back to Business


    Engraçada a relação tão intrínseca do mundo com a economia. No início do século vinte o Carro Elétrico dominava. A eletricidade era produzida à base de combustíveis fosseis para carregar a bateria dos carros. Mas com o desenvolvimento das Economias de Produção surgiu um aumento da dependência sobre o Veículo, e consequentemente um aumento de vendas. E com isso surgiu uma oportunidade no mercado. Por que extrair combustíveis, para então gerar eletricidade, e depois carregar o carro? Poderosas como Standard Oil (Exxon Móbil), logo viram que não se precisava mais do “middle-man”. Podiam simplesmente refinar o óleo e vender gasolina diretamente. Cem anos depois, em meados de uma crise das grandes produtoras de veículos, são os mesmos incentivos econômicos que revitalizaram das cinzas o modelo Elétrico.
    Detroit anuncia este ano seu plano para começar (voltar) a produzir carros eléctricos. Para aqueles que pensam que os motivos são ambientais, pensem novamente. A maioria da eletricidade produzida nos Estados Unidos vem da queima de Carvão. Para os que não sabem a queima de carvão é a forma mais danosa ao ambiente de se gerar eletricidade. E diante das tecnologias de produção de eletricidade virtualmente limpas à base de vento (veja ao lado minha foto na Alemanha) e água, podemos descartar a defesa dos propósitos ambientais. Mas então por que será?
    Lá vem a economia de novo. Pergunto: O que fariam empresas como a Exxon Móbil se de um ano para o outro os carros do mundo não precisassem mais de seus produtos? Falência, crise econômica, caos... E lógico com tantas noticias informando essas multinacionais que o mercado esta começando a andar nesta direção estas começariam a inovar sua oferta de produtos, integrar novos métodos (etanol, biocombustível, etc.). Esquisito que a Exxon Móbil acaba de votar em sessão fechada a continuar o investimento na produção de petróleo? Já matou a charada?
    A verdade é que quando Detroit começar a produzir estritamente carros elétricos, os EUA poderão abandonar o carvão e simplesmente ajustar sua produção elétrica para a base de petróleo. Assim, não matarão de noite para o dia um dos mercados mais importantes a sua economia nos último século. Afinal, seja o petróleo Americano ou não, são as empresas deste pais que controlam a maioria do transporte marítimo internacional do produto (onde mais se lucra).
    Porém, a campanha de propaganda já funcionou. A CNN e a Reuters fizeram com que o mundo ficasse feliz com a idéia. Foi um esforço tão eficiente quanto aquele que faz o carioca pensar que está andando de metro enquanto fica em pé num ônibus de Copacabana à Barra.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

MendigoChic e o FashionRio




    Com o virar de cada ano, o Tempo adquire novos sentidos. Quando era jovem um dia parecia eterno, hoje uma semana pode passar despercebida. Aos oitenta como será? Por isso decidi tentar coisas novas este ano. Para aqueles que me conhecem é obvio que não sei nada de Fashion (como fica aparente no meu estilo MendigoChic: havas e roupas aos pedaços). Mas como frequentei o primeiro dia do Fashion Rio este ano, pensei “que forma mais adequada de começar algo novo, do que sabendo nada.”
    Algumas coisas me espantaram, além das roupas de alguns também freqüentadores, e por isso decidi colocar aqui o que presenciei.
    Primeiramente, como jornalista, ou pelo menos pretendente, fiquei chocado em ver dentro do Lounge do Jornal do Brasil, um agradecimento à NET que até onde eu saiba é da Globo. A Globalização está realmente funcionando, pelo menos no Brasil.
    Também fiquei espantado com o Lounge do Caderno Ela, talvez uma das publicações mais prestigiosas a terem um Lounge, que estava um forno durante as primeiras horas do evento.
    O que mais me espantou, porém, foi a fila da primeira passarela que foi de uma marca para crianças. No primeiro verdadeiro sol de verão que tivemos no Rio este ano dezenas de pessoas aguardavam ansiosos. Nunca poderia ter imaginado que existia tanta demanda por coleções de roupas de criança. Mas aparentemente, como fui informado por minha amiga e grande jornalista, Julia Morales (http://nossoarmario.blogspot.com), a quem fico muito grato por ter me ajudado a penetrar o evento, o mercado de roupa infante-juvenil no Rio cresce muito.
    Coincidentemente tive uma idéia. Já que a taxa de donos de cachorro no rio é o dobro da taxa de pais, talvez seria um mercado interessante também...camisas do flamengo, chapéus caninos, etc. Procuro investidores.
    Mas eu que nada sei do assunto e até ontem pouco me interessava admito que estava levando o evento meio na farra, observando as beldades presentes, e desfrutando o ambiente agradável da Marina da Gloria. Isso foi até que começou o primeiro desfile. Congelei. As luzes apagaram. O baixo reverberando na tenda. De repente as luzes da passarela acendem e a primeira modelo deslumbra como uma estatua animada. O ambiente, as pessoas, o glamour... eletrizante!!!
    Fora algumas coisas risíveis talvez por algum preconceito meu ou pura ignorância, achei o evento super-interessante. Um tribo realmente diferente daquilo que imaginava pela mídia.
    Com isso encero minha primeira nova experiência de 2009. Foi proveitosa pois aprendi algo. E sei que se algum dia ouvir as criticas levianas e costumarias sobre este mundo peculiar, defenderei aquilo que posso. Claro, ainda me vestindo como um MendigoChic.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Vicky Cristina Barcelona

     Se houver poesia nesta vida, e creio que não, o diretor morrerá sem completar qualquer outro trabalho. Deixará Vicky Christina Barcelona, sua obra prima, como um ponto final na bela frase que foi sua carreira. Me lembro de ter comentado a alguns anos quando vi Matchpoint, que o diretor tinha acertado perfeitamente em sua migração de Nova York para Londres. Na época acreditei que sua densidade de trama e diálogos, perdidos na cultura esvaziada dos EUA, teriam se encontrado. E apesar de ter defendido esta opinião em varias ocasiões aos fissurados em Allens’ N.Y., nunca poderia ter previsto o que ele faria de Barcelona. Mas preparam-se pois não trata de um típico filme Woody Allen.
     Paixão, real paixão, foi capturada poucas vezes nas telas. Identificado por um calor de inspiração que nos deixa silenciosos, respirando com leveza, semi-embriagados. É neste estado que observamos as paixões do filme que se infiltram em nossas almas. O filme é altamente sexual em seus detalhes ricos em cor, contraste, e cenário. Ao passar por Las Ramblas na tela, o filme nos leva a sentir o cheiro da rua cheia de vendedores. E sem nem se levantar o espectador, inconsciente, é transportado a Barcelona.
     A maior divergência do modelo Allen se encontra nos diálogos. Acredito que as falas originais foram abandonadas, em paradigma, por Penélope Cruz e Javier Bardem, dois dos quatro personagens centrais. A expressão destes personagens não segue o clássico dialogo ou construção lógica do grande diretor. As falas se mesclam entre inglês e catalã. Duas atuações impecáveis.
     Scarlett Johansson, talvez por ter virado costumeira nos filmes de Allen, já se enquadrou mais no estilo de discurso obsoleto que o diretor constrói. A atriz não deu nada de especial ao filme fora seu nome e beleza. A quarta parte do quebra-cabeça porém, Rebecca Hall foi brilhante. Até onde enxergo deve ter se mantido no estilo do diretor, mas teve um entrosamento tão grande com seu papel que cheguei a sentir sua falta na tela. Ela ‘vende’ a interpretação de uma americana neurótica, falando as palavras de Allen, mas com um ar autentico que poucos conseguiram fazer. Até a Diane Keaton, que em Annie Hall conseguiu vender sue peixe, deixou algo a querer nas demais obras de Allen.
     Com uma trilha sonora afiada, repleta de Café del Mar e Gypsy Kings, Allen conseguiu capturar a alma de Barcelona. E por mais que seria um ótimo filme para encerrar a carreira, o espectador em mim espera que ainda veremos o clássico “Written and Directed by Woody Allen” na Grande Tela novamente.

domingo, 9 de novembro de 2008

Mãos Dadas

       Meu cachorro acredita que minhas mãos são independentes. Talvez por ser minha esquerda que o alisa da minha poltrona de domingo, enquanto leio os diários. Ou quer por minha direita ser mais proeminente na hora de castiga-lo. Com tempo meu ‘pequeno diabólico’, como gosto de chama-lo quando come meus sapatos, aprendeu a diferenciar, e agora evita a ultima por completo.
       Dizem por ai que o Candidato do Mundo ganhou esta semana. O Nosso Candidato como estão chamando. Acredito, mas pergunto o que é um homem se não um resumo de todas suas decisões e ações. Algumas publicas, outras nem tanto. Nada se define num momento ou numa palavra, existem sempre dois lados, uma foto vale por mil palavras... e outras frases esvaziadas.
       Vemos um ícone surgir das cinzas de um país que a décadas começa ( declarar não, aí seria serio) guerras e manipula acordos econômicos para sua própria vantagem, em detrimento daqueles que diz ajudar. Mas não quero interromper a euforia do mundo. Os analistas dizem que o mundo mudou. A unilateralidade que brotou na década de 90 morreu, e uma nova era esta prestes a nascer. Acreditam também o fim do neoliberalismo. Pelo menos defendem essas idéias em seus editoriais.
       Nós como sempre acreditamos e esperamos a mudança anunciada. Celebramos as eleições sem sequer saber as posições dos candidatos. E até quando sabemos, será que sabemos mesmo?
       Não duvido em alguns valores de Obama, e se votasse nos EUA teria votado nele. Sei por exemplo que ele será mais pragmático com o mundo do que seu antecessor. Também não sei como poderia ser menos. Especialmente diante das atuais crises. Mas lembro sempre que um Presidente deve ser um servidor ao seu povo. E por mais que se elegeu um homem de Mudança, será que as industrias, que há um século definem a política externa dos EUA, mudarão com ele? Espero que sim, há tempo. Mas a regra do jogo é lucro, e isso ainda não mudou.
       As empresas continuarão querendo menos regulamentação e burocracia para poderem competir com as Chinas e Índias do mundo. E nós, cidadãos comuns, não veremos estes incentivos refletirem nos preços. Um Presidente é um produto. Produto dos desejos das empresas, da economia, e dos cidadãos. Lamentavelmente nesta ordem. Será que o Nosso candidato nos olhará com o mesmo carinho que seus compatriotas na próxima reunião financeira? Ou até no dia-a-dia?
        Não pretendo ser um cínico. Se bem que sou, confesso. Mas existem horas quando nada é tão claro. As linhas ficam obscuras e o que passa por cinismo pode ser nada mais que bom realismo. Tal é o caso com meu cachorro. Por mais que ele se esconde da mão direita, não enxerga que a esquerda é fruto da mesma raiz. Quais serão as raízes de Nosso candidato? E com que mão será que ele regerá?

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A 'America' existe?

Ontem fiquei assistindo as eleições americanas até as 3 da madrugada na CNN. Diverti-me muito com as caras de republicanos como Bill Bennet, que se esforçaram tanto para não declarar guerra nos demais comentadores do ‘Situation Room’. Como se sabe o partido deles é bom nesse tipo de coisa. Mas apesar da minha euforia devido à derrota esmagadora dos Republicanos, ou como são conhecidos a ‘Good Old Party’, algo me pegou errado. Quem são esses tais African Americans? Pensei a principio que se tratava dos Negros. Mas a denominação étnico-historica me fez pensar duas vezes. Será que estou delirando ou o termo, de fato, seria mais excludente e racista do que um simples ‘black’?

Quando ouço o termo African American fico pensando numa mulher dando parto num avião Estadunidense a caminho da África. Mas se de fato se trata da comunidade negra nos EUA, então nada faz sentido mais. Explico.

Digamos que Jonathan Kendall (ótimo nome americano), nasceu nos EUA. Seus antepassados há 500 anos vieram da Kenya, onde foram raptados para serem escravos americanos. Jonathan não sabe onde fica a Kenya, e se bobear a África. Mesmo assim falaram ao nosso jovem a vida inteira que ele é um tal de African-American. Ele aceitou. Jovens, humpf. Mas se o seguinte for verdade, então o John Mccain seria um Irish-American, o Rudolph Giulliani um Italian-American, e o Arnold Shwarzenneger um Austrian-American, ou um babaca, dependendo de sua ideologia política e cultural. Porém, dado este enfoque não existiria, de fato, nenhum simples American, e conquanto uma America. O país seria somente um burraco negro onde turistas permanentes vivem num estado de eterna temporariedade. (Oximoro de primeira).

Mas o que isso significa? Sei lá, está tudo tão incerto recentemente. Afinal os Republicanos não perdem tão feio desde... bem, nunca. A única coisa que sei é que o termo African American está errado e segrega cada vez mais uma sociedade já tão separada. Ontem a noite não houve uma vitória dos African Americans, e sim uma vitória dos Americans. Caso contrario estamos todos ferrados. Afinal, se o Jonathan após 500 anos ainda não foi aceito como um Americano, Wanderlei Da Créusia, que agora mesmo mastiga paçoca em pé numa fila de consulado tentando conseguir um GreenCard, não tem a menor chance.

domingo, 19 de outubro de 2008

Brasistencialismo

     Esta semana o Jornal O Globo subiu na minha conceituação, por terem feito uma entrevista com o teórico Parag Khanna, autor do livro O Segundo Mundo. O livro dialoga abertamente sobre a importância dos paises de segundo mundo, ou emergentes, na atualidade. Khanna aplaude também o sistema sócio-democratico da União Européia, e o fim do unilateralismo estadunidense. É nesse sentido que acredito que deveríamos caminhar.
     O Brasil, apesar de estar muito longe da infra-estrutura, ou capacidade administrativa da Europa, deveria se medir contra o Mundo Velho, na espera de aprender com o que já funciona. Foi assim que me preparei para escrever estas linhas.
     O problema, ao meu ver, é que atualmente tentamos agir como um pais desenvolvido, enquanto nas ruas nem nossas policias conseguem concordar... Para falar a verdade a existência de duas instituições para fazerem o que é essencialmente o mesmo trabalho, me parece coisa de terceiro mundo. Enquanto isso, no âmbito social continuamos insistindo na falta de reforma.
     Os programas sócias não encontram nenhum apoio do outro lado. São balas perdidas num pais de poucos escudos. Parece que tudo é feito a base de atos divinos de ‘Isto, consertará o Brasil’. O que o governo parece não ter observado é que consertar o Brasil requer uma estratégia bastante ampla. Aqui encontramos o único sistema de assistencialismo do mundo genial e capaz o suficiente para resolver as coisas de noite pra dia: o Brasistencialismo. Funciona mais ou menos assim.
   - Vamos doar ao pobre condições, as custas daqueles que têm dinheiro para contribuir, para que ele possa comer e se sustentar.
   - Beleza! E qual é o próximo passo?
   - Como assim próximo passo?   - Como assim ‘como assim’? O próximo passo, o plano.
   - Plano? Mas já resolvemos, agora não tem mais pobreza. Estávamos até pensando em dar viagens à Europa ano que vem para acabar com a crise dos feriados...
   -??!?!
     Lógica incontestável, mas se a idéia é um sistema de doação onde dez por cento do país sustente noventa por cento, então já vou mudando de lado. O que precisamos é de uma estratégia que tenha como objetivo o desenvolvimento sustentável. Não se pode financiar a pobreza, ao custo dos que tem dinheiro, se não a mensagem que se passa é: Relaxa, nós pagamos a conta. (É meu bordão de campanha, não roubem). Mas qual será então a questão fundamental para mudar este quadro? Concordo com os muitos que dizem que é a educação. Afinal, Como que se pretende estimular crescimento dentro de uma nação cujo nota media de educação é um 5. Não rola. Pode até ter emprego, mas quem vai trabalhar? Com media cinco, não podemos nem ter certeza que o cara vai encontrar o prédio onde trabalha.
     Claro, para que a melhora da educação tenha qualquer efeito, é necessário também criar empregos. Caso contrario, será mais uma bala perdida, e em vez de ouvir – Perdeu! ao andar pelas ruas, ouvirá- Vossa mercê extraviou-se! Sem grande diferença na finalidade.
     O brasileiro mediano (não médio- existe uma diferença como apontou João Ubaldo Ribeiro a algumas semanas) nasce na pobreza e se depara com escolas irrisórias, hospitais que não funcionam, e uma cidade abandonada. Quando acaba em um morro traficando ou assaltando no meio da rua, a sociedade pergunta porque? Ok podia ter escolhido outra vida mas como quando as próprias faculdades “publicas”, e digo essa palavra com o maior quantidade de ironia possível, não abrigam mais que uma fração dos alunos que graduam do segundo grau todo ano. Isso sem contar os que não chegam lá. Inclusive me parece um erro de nomenclatura. Pois se é publica tem que ter espaço para todos. Lima Barreto escreveu sobre a falta de vagas na Folha de São Paulo há cem anos. Ordem e Progresso? Vai, conta outra...

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Cresvaldo e a Máquina

     Tenho que admitir minha alegria ao ver “meu” candidato no segundo turno. Mas o dia não foi tão cheio de alegria. Tantos incidentes de caráter ignóbil ocorreram que não sei exatamente como sinto. Refiro-me à categoria vereador.    

     Ao ver a lista dos vereadores eleitos meu queixo caiu. Falo de um dos vários “inhos” deste estado. Ou melhor, “inhas”. Como eleitores podem votar em uma candidata que está na cadeia, é alem da minha capacidade de compreensão. Mas essa possibilidade já diz muito sobre nossa cidade maravilhosa, e talvez sobre a própria instituição do voto.
     Defendo há tempo um procedimento, digamos, diferente. Já que o Voto Obrigatório não vai sair da pauta, devido às vantagens ocultas para os que pretendem nos reger infinitamente, sugiro então o Voto Obrigatório Qualificado. O que será? Vamos ver na pratica.
     Tomamos como exemplo Cresvaldo, um analfabeto, que mora numa área sujeita a grandes influências eleitoreiras. “Sugestões” por armados, promessas dos pretendentes, uso da máquina pública...Nada mais normal.     
     Neste sistema, Cresvaldo (nome perfeito para cidadão hipotético) acordaria normalmente no dia de votar. Como qualquer outro dia de eleição ele se dirigiria até a zona eleitoral, mas ao chegar no local se depararia com uma fila nova, antes da urna.
     Cresvaldo olha a sinalização mas não consegue decifrar os signos. Porém, como bom brasileiro, não é nenhum estranho a filas. Não pensa duas vezes. Finalmente ele chega à frente da fila, repetindo seus números “sugeridos”, onde o pedem para fazer o Teste do Voto. Ele hesita – Teste do Voto? Cresvaldo congela, pensa em sair correndo, mas é convencido a ficar. Chegando à tela do computador ele não encontra onde inserir seus numerozinhos memorizados. Aperta varias teclas e houve barulhos frenéticos do computador. Um atendente se direciona ao nosso cobaia, e lhe informa que sem saber ler Cresvaldo não poderá participar do resto do processo. Ele é dispensado. (Muito a seu prazer).     
     Caso consiga ler, Cresvaldo participará da prova. Trata-se de uma prova eliminatória. Por exemplo, se o cidadão não contribui com imposto de renda, sua prova termina. Q.I. insuficiente, game over. Caso contrario procedemos a uma prova básica sobre política. O senhor(a) sabe quem é o atual Prefeito? Governador? Senadores? Presidente? Por quanto tempo estes ficam em cargo? Quais são seus deveres e responsabilidades? São apenas alguns exemplos.
     Pode parecer radical para alguns, mas a estes digo que radical é o voto inconsciente. Afinal, apesar da nossa “inha”, foi eleito outro vereador que responde a 14 anotações penais. Culpa de quem?     
    Um povo sem a capacidade de se informar sobre questões de estado é altamente influenciável. E estes não podem ser encarregados de decidir nosso futuro. 


*** Em duas semanas os leitores deste blog poderão contar com uma matéria investigativa sobre fanatismo religioso. De autoria própria, claro... Aguardem

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Sem chance, nem melancia...

    Segunda ou terça-feira, sairá o relatório da comissão interministerial sobre o que fazer com as descobertas do pré-sal. Claro, digo descobertas em teoria. Na realidade, até hoje se baseia em especulação, apesar de serem bem prováveis. Por coincidência, até podermos extrair este petróleo, tem uma boa possibilidade que o mundo estará usando outra fonte de energia. Mesmo assim o Brasil vibra. Mas o que mais mordeu minha bunda, foi que os americanos novamente roubaram nossa melancia.

    Melhor explicar. O voto da comissão só pode ter duas conclusões. 1) A Comissão decide que a Petrobrás vai explorar o petróleo da camada pré-sal, obviamente em parceria com inúmeras empresas estrangeiras. 2) Decidem criar uma nova estatal, a Petro-sal, e desonrar os contratos já estabelecidos e as licitações concedidas às empresas estrangeiras. Julgando pela boa vontade que temos tradicionalmente por governos estrangeiros, as vezes até ao nosso detrimento, acredito que a Petrobrás está pouco preocupada.

    Voltando à melancia furtada. Especuladores estavam tentando esconder suas alegrias quanto ao preço das ações da Petrobrás. Afinal, não existe no mundo uma empresa que lide com produto tão necessário e caro (mistura mágica) cujas ações estejam tão baixas. O voto, como antecipado pelo mercado, sairá a favor da Petrobrás, o que levará as ações da mezzo-estatal a pipocarem astronomicamente. Hora certa para ser um investidor no Brasil.

    Claro, esta previsão não vinha com garantias. Um numero de influencias externas poderiam arrasar as especulações. E arrasaram! Só não se esperava que seriam tão externas.

    O voto do congresso americano contra o pacote de alivio financeiro às empresas, fez com que os mercados mundiais despencassem. De fato estou pouco preocupado com os problemas dos EUA. Afinal moro num pais onde a maioria nem sabe ler. O que me chateia, porém, é que a falta de definição por aqueles lados, atinge tão profundamente estes daqui. Basicamente o que aconteceu é que o “voto contra” espantou o mercado deles, que por sua vez jogou nosso mercado em pânico (já diz muito), e agora independente das noticias do relatório o crescimento das ações não será tão grande. Se fosse uma competição eu chamaria arbitro. . .

    Mas o que fazer? Infelizmente, continuamos dependentes do que os outros fazem. Só nos resta saber, então, qual será o crescimento das ações. Assim todos nós oportunistas poderemos saber o que fazer com nossas fortunas. Afinal, 52% do Brasil é classe media. Não sabia?

domingo, 21 de setembro de 2008

Coçando e Esfregando


Torna se cada vez mais difícil me manifestar neste espaço. Parece que em luz de minhas palavras, nossos governantes decidiram inundar (até mais) o cenário de corrupção. Tática astuta. Assim quando sento a escrever tenho tanto a falar que raramente digo algo. Entro em estado de apoplexia, e resmungo incoerências enquanto tento desesperadamente evitar os noticiários.


Não pretendia fazer listas como as de Carlos Heitor Cony, apesar de estima-las entre os mais belos trabalhos da prosa. Também não podia, por falta de competência e abundancia de respeito , gerar metáforas entre minha vida e as ocorrências, como João Ubaldo Ribeiro.

Apos ler os jornais, com depressão em alta, estava a ponto de trancar a maquina de escrever e o computador numa gaveta e perder a chave. Foi então que sentado no meu escritório tive uma idéia pra acolá de maluca. Decidi procurar a felicidade no único lugar que ainda confio: O dicionário.

“Próspero, afortunado, bem sucedido...” Não pode ser. Então, oitenta por cento do Brasil é infeliz. Pior, eu sou infeliz. Não podia ser. Fui ao mundo digital tentar encontrar outra definição. Cada lugar uma versão. Nenhuma satisfatória. Através de minha pesquisa encontrei que a palavra Felicidade está entre as mais enigmáticas de todos os tempos. Não existe definição que agrade a todos. Filósofos, sociólogos, psicólogos todos tentam abordar a questão, eventualmente sendo derrubados pelo infinito trabalho de defini-la. Afinal, tem até aqueles para qual a felicidade é a desgraça. E vice-versa.

Parece que os livros de auto ajuda, apesar de deploráveis em tantos aspectos, estavam certos sobre este ponto. Cada um tem que definir a própria felicidade. Por mim, continuarei tentando consegui-la a cada semana, enquanto denuncio com firmeza aqueles que atentam contra a nossa. E apesar de não saber responder o que é propriamente dita a Felicidade, podem contar comigo para atacar uma das poucas coisas que temos em comum como cidadãos: a infelicidade.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Faltando pouco para as eleições municipais, novamente tudo vale. Enquanto metade dos eleitores respondeu à Datafolha, durante Pesquisa Espontânea, que votaria nulo, percentagem semelhante dos candidatos ou é analfabeto, ou têm vidas pregressas "duvidáveis". Risível? Talvez. É só abrir o jornal para encontrar as falcatruas que se infiltram em todos os partidos. Compra de votos, currais eleitorais, propaganda irregular... nada mais normal. Na realidade, a única coisa que me espantou foi a voracidade com que o outro lado da moeda tem se mostrado. E-mails denunciantes, listas de fichas sujas, protestos, e cidadãos indignados. Parece guerra!

O povo armado com suas palavras de difamação tenta se proteger dos alto-falantes ambulantes, panfleteiros, e o tão temido horário eleitoral. Basta! A cidade maravilhosa cada vez mais se reduz a uma mera metáfora de si mesma? Por isso, estou disposto, como cidadão da paz, a propor uma trégua.

Srs. E Sras. Candidatos, nós, civis, estamos dispostos a parar de mandar e-mails xingando os senhores e suas linhagem, se os Senhores prometerem nunca mais nos acordar com esses alto-falantes às 8 da manha. Alguns de nós desfrutamos até tarde a liberdade total que somente a época pré-eleitoral proporciona, e, portanto não temos a capacidade de tolerar seus funks, jingles e bordões. Se estivermos de acordo neste ponto, sugiro então que abandonem, também, a idéia dos panfleteiros que nos atacam nas esquinas do centro.Em troca podemos oferecê-los menos hostilidade durante suas caminhadas pela orla.

Deixei por ultimo o maior pedido. Já que menos de 5 % dos eleitores tem qualquer conhecimento sobre as posições ideológicas e propostas dos senhores, vamos parar com esta palhaçada de horário eleitoral? Nós queremos nosso JN, nossa novela, nosso futebol! Em troca estamos dispostos a ceder aos senhores por total a persecução contra corruptos, ativos ou passivos.

E aí, topam?

 
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