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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

IOF no Reino da Dinamarca

Enquanto o mundo se preocupa com balões e outros tantos, a recente e talvez polêmica IOF é causa das manchetes de economia. No suposto interesse de manter o Real fraco contra o Dólar nosso governo tem assumido uma posição preocupante diante a queda da bolsa. Mantega, nosso ministro vaselina, chegou a explicar que “um excesso de capital no mundo poderia causar uma bolha na nossa Bolsa” (como visto n’O Globo 21/10). A taxa inibiria a entrada demasiada da moeda estrangeira.

Traduzido do economês, taxar os Dólares que entram diminui a quantidade destes o que o fortalece no território nacional ao mesmo tempo enfraquecendo o Real. A idéia é fortalecer o investimento direto e tira-lo da bolsa.

O problema é que no Brasil, que somente se industrializou a menos de oitenta anos, ainda não se desenvolveu uma cultura de investimentos forte. Estes em grande parte foram feitos por esforços estrangeiros ou com capital destes. No momento o país encara uma era de grandes investimentos (pré-sal, olimpíadas, copa...) e uma taxa sobre a moeda estrangeira, que dificilmente inibira sua entrada, pode causar o efeito indesejável de constringir o investimento domestico. Isso devido ao Real fraco no território nacional que não conseguirá competir com capital estrangeiro. E se conseguir, há algo podre no reino da Dinamarca...

Também existe como tem sido praxe com nossos governos o risco comodismo. Uma taxa sobre os dólares que entrarem será uma forma de lucro certo, o que pode levar, como foi o caso em tantos outros países emergentes, à falta de ação interna. Ao pé da letra significa que se o governo receber o imposto por fazer nada, não terá interesse em melhorar a situação para o investimento nacional. Terceirização do crescimento.

As políticas econômicas neste país surgem de trás de uma cortina de seda, aparentemente calculadas estrategicamente visando o futuro do país. Mas como já foi dito neste blog mais se parecem com balas perdidas, soltas sem meditação ou o devido debate público. Isso em parte se deve ao publico que pouco se interessa pela economia do estado e raramente sabe para onde vai o dinheiro que contribui. Por outro lado é categórico de um estado de um líder carismático que é tratado como herói do povo ao invés de administrador eleito. Mas este é outro texto.

Deveríamos analisar os próximos anos com cuidado e paciência, pois nossas atitudes economicas agora definirão a situação das gerações porvir.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Estado do Sitio

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­­Zelaya meu caro Zelaya

Está ai um cara que realmente conseguiu um ato inédito beirando milagre: rejeição Norte-americana de um golpe de estado na América Latina. Merece premio, neh? Que tal um Oscar? Ou talvez beatificação...

Panem et Cicernes: Uma receita desastrosa

Petro-sal. O mundo de negócios não fala em outra coisa. É só adicionar uma Olimpíada e 10 minutos no microondas que o público está novamente convencido que o Brasil é o país do futuro. Com segue a velha piada, sempre será. Acontece que por incrível que pareça, existe um extenso acervo de estudos sobre os efeitos políticos e econômicos dos paises onde se encontrou reservas de petróleo. Se chamam (veja só tem até nome) Rentier States. Incrivelmente, nenhum deles se encontra hoje em condições de maior desenvolvimento econômico, político ou social. Inclusive, sem exceção continuam todos onde estavam, alguns piores. Por que? Divide et impera. Mas levando em conta o modelo básico de negócios, podemos ter certeza que não interessa aos gigantes do petróleo ter maior oferta do que demanda. Food for thought.

Coincidentemente, existe um estudo feito por uma jovem Iraquiana Nila Alahmad chamado “The Politics of Oil and State Survival in Iraq (1991–2003): Beyond the Rentier Thesis” que seria imprescindível para quem quiser entender melhor os sintomas dos Rentiers. Cobre a historia política/econômica do Iraque durante os 10 anos antes da invasão. É um trabalho bastante esclarecedor neste sentido e também sobre a invasão. Para quem tiver tempo...

Diário da Colônia

Mais uma vez na colônia de Santa Cruz degustamos uma inversão dos valores republicanos. Alguns talvez se lembram quando diante a “ousadia” do juiz Fausto de Sanctis de prender Daniel Dantas, que hoje já não faz mais capa de jornal, o Presidente da STF deu um salto para os microfones para defender o Danielzinho. Isso num caso criminal, e claro, se apressando no tramite judicial para intervir. Afinal, coisa importantíssima. Enquanto isso, um ano e tanto depois, o presidente da câmara dos deputados ignora ordem do STF para divulgar dados sobre a verba indenizatória à Folha e o que acontece? Nada mais nada menos que o resultado “inesperadississimo” do velho faroeste de cabeleireiro: Papo pra lá, papo pra cá. Resumindo, o caso de um homem requer intervenção imediata da corte suprema, enquanto a transparência de gastos públicos que potencialmente revelarão danos a todos nós, nem tanto. Ou seja, 200 milhões de brasileiros não valem um Dantas.

Entre as varias estipulações postas por Rousseau para a existência de legitimidade do Poder está o preceito de igualdade formal entre os homens, isto é política e jurídica. Mas o que ele sabia...

WQS

Para quem se interessa, a etapa de surf carioca do WQS (qualificadora mundial) patrocinada pela Oakley está congelada. Acontece que apesar dos subsídios substanciais, inclusive do Metrô do Rio que sempre alega falta de recursos para adiantar suas obras, o mar não colaborou. O dia ontem fechou sem ondas, causando a 20a bateria a ficar esperando na areia, antes de ser dispensada. Tudo indica que teremos a continuação do evento até quinta. Boas ondas.

domingo, 9 de novembro de 2008

Mãos Dadas

       Meu cachorro acredita que minhas mãos são independentes. Talvez por ser minha esquerda que o alisa da minha poltrona de domingo, enquanto leio os diários. Ou quer por minha direita ser mais proeminente na hora de castiga-lo. Com tempo meu ‘pequeno diabólico’, como gosto de chama-lo quando come meus sapatos, aprendeu a diferenciar, e agora evita a ultima por completo.
       Dizem por ai que o Candidato do Mundo ganhou esta semana. O Nosso Candidato como estão chamando. Acredito, mas pergunto o que é um homem se não um resumo de todas suas decisões e ações. Algumas publicas, outras nem tanto. Nada se define num momento ou numa palavra, existem sempre dois lados, uma foto vale por mil palavras... e outras frases esvaziadas.
       Vemos um ícone surgir das cinzas de um país que a décadas começa ( declarar não, aí seria serio) guerras e manipula acordos econômicos para sua própria vantagem, em detrimento daqueles que diz ajudar. Mas não quero interromper a euforia do mundo. Os analistas dizem que o mundo mudou. A unilateralidade que brotou na década de 90 morreu, e uma nova era esta prestes a nascer. Acreditam também o fim do neoliberalismo. Pelo menos defendem essas idéias em seus editoriais.
       Nós como sempre acreditamos e esperamos a mudança anunciada. Celebramos as eleições sem sequer saber as posições dos candidatos. E até quando sabemos, será que sabemos mesmo?
       Não duvido em alguns valores de Obama, e se votasse nos EUA teria votado nele. Sei por exemplo que ele será mais pragmático com o mundo do que seu antecessor. Também não sei como poderia ser menos. Especialmente diante das atuais crises. Mas lembro sempre que um Presidente deve ser um servidor ao seu povo. E por mais que se elegeu um homem de Mudança, será que as industrias, que há um século definem a política externa dos EUA, mudarão com ele? Espero que sim, há tempo. Mas a regra do jogo é lucro, e isso ainda não mudou.
       As empresas continuarão querendo menos regulamentação e burocracia para poderem competir com as Chinas e Índias do mundo. E nós, cidadãos comuns, não veremos estes incentivos refletirem nos preços. Um Presidente é um produto. Produto dos desejos das empresas, da economia, e dos cidadãos. Lamentavelmente nesta ordem. Será que o Nosso candidato nos olhará com o mesmo carinho que seus compatriotas na próxima reunião financeira? Ou até no dia-a-dia?
        Não pretendo ser um cínico. Se bem que sou, confesso. Mas existem horas quando nada é tão claro. As linhas ficam obscuras e o que passa por cinismo pode ser nada mais que bom realismo. Tal é o caso com meu cachorro. Por mais que ele se esconde da mão direita, não enxerga que a esquerda é fruto da mesma raiz. Quais serão as raízes de Nosso candidato? E com que mão será que ele regerá?

domingo, 8 de junho de 2008

Importado com o Exportado


            Vou avisando logo que após esta crônica posso acabar sendo obrigado a entrar em exílio, assim retardando a publicação da próxima crônica. Pêsames. Sei que para alguns não será um grande incômodo, mas espero, como qualquer escritor, que este grupo não seja muito grande.
           Esta semana tem sido repleta de conversas sobre o OMC e a proteção dos alimentos para que o mundo não sofra. Mas no meio de vários discursos eloqüentes dos lideres mundiais, lembrei de uma frase cujo autor me escapa, que sempre surge na minha cabeça cínica quando se trata de economia global: Não existe comunidade global.
           Explicarei para não soar ingênuo. O que a frase questiona é a vontade de governos individuais de fazerem o melhor para o mundo inteiro. No Brasil nem sei se passa por cinismo perguntar se os governos são realmente movimentados por vontades tão nobres no dia-a-dia das maquinas nacionais?
          A verdade é que cada governo joga por si mesmo(e as vezes até por seus cidadãos). Esperando agradar os moradores dos países que representam(alguns mais que outros) com suas atitudes. O que torna uma reunião para decidir como o mundo vai lidar com a falta de alimentos, em nada mais que uma convenção onde o real interesse é “Como que eu vou proteger o meu”. Se não fosse, a reunião duraria meia hora. Primeiro se olharia quanto o mundo produz de cada coisa, depois quanto cada um consume. Uma vez feito, começariam as distribuições proporcionais a preços iguais para todos, sem subsídios ou taxas de importação malucas. Mas o que acaba acontecendo é que todos querem lucrar, e os interesses das empresas falam mais alto que as do consumidor. No final acaba sendo o velho jogo capitalista: Winners and Losers.
          Foi então que me surgiu uma pergunta que não consegui responder. Por que, então, precisamos da comunidade Internacional? Calma não estou dizendo que não deveríamos trocar e aceitar mercadorias estrangeiras como o Iphone (estou doido pra comprar). Mas o Brasil como quinto maior pais do mundo tem solo suficiente para produzir tudo que precisamos aqui dentro. E por acaso tem também um numero suficiente de desempregados, ou empregados em atividades ilícitas que se aproveitados de forma legal, seriam uma força de trabalho gigantesca. Quem sabe podíamos até montar nossas próprias industrias, incluindo as de telefones celulares brilhantes.
           Mas e os salários? Quem vai trabalhar em agronegocio ou em alguma fabrica por um salário mínimo, quando pode ganhar um dinheirão no trafico do Rio? Bom, se o que sobra da arrecadação de impostos fosse usado para incentivar empresas que atuam no solo nacional invés das que funcionam fora do pais (como faz o BNDES que acaba de receber um aumento de 12,5 bilhões de nosso generoso Senado) resolveríamos a questão do salário mínimo em algumas semanas. Claro, não estou sugerindo que nossos impostos sejam usados para motivar a industria nacional e criar empregos. Isto seria um absurdo.(Aviso: Sarcasmo é a forma mais baixa de humor)
          Não entendo como um pais como o nosso pode estar olhando pra fora quando o cenário interno esta tão ruim. Afinal, quando eu pago impostos quero que estes sejam aplicados na manutenção dos espaços públicos, na proteção dos cidadãos, no prover de água e alimentos, e para financiar as instituições publicas, (Administração, Saúde, Justiça). Prefiro deixar para investir meu dinheiro no metro de Caracas (isso mesmo, na Venezuela), como faz nosso sagrado BNDES, quando tudo aqui estiver funcionando. Aí, sim, podemos conversar.

 
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