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domingo, 1 de junho de 2008

Um tapa na Cara...de quem?

Esta semana diante de um novo temporal de acusações de corrupção obviamente verídicas, fomos comparados ao Chicago de 1930. Concorde ou não, não deixa de ser uma comparação forte. Para quem não conhece a historia se trata do gangsterismo de Al Capone. Um criminal admirável, para quem admira essas coisas. (no rio, aparentemente, todos)

Capone atuou na época da lei seca em Chicago, produzindo e distribuindo bebidas alcoólicas. A maioria de Chicago tinha uma empatia ao gangster, por discordarem da lei, inclusive os policiais que se beneficiavam do arrego e das bebidas. Até ai da pra ver uma semelhança com nossa cidade maravilhosa. Mas a diferença esta na dinâmica do problema.

Capone não fazia parte do governo. E embora seus subornos a vários membros do estado serem de conhecimento publico, quando finalmente foi pego pelo jovem Elliot Ness, perdeu um apelo nos tribunais e cumpriu 11 anos de prisão. Ou seja, quando a policia pegou, o Judiciário funcionou, e o bandido se danou (vou virar poeta). Mas é assim que funciona quando alguém é preso, cabe ao Judiciário apoiar ou reverter a ordem. Claro isso no primeiro mundo.

Na nossa terra porem, temos um sistema digamos um tanto diferente, mesmo assim igualmente fascinante. Aqui, o Legislativo pode libertar um homem! Isso mesmo, o órgão que faz as leis, também, aparentemente, pode julgar como elas estão sendo aplicadas. Esqueça aquela besteira sobre balanço de poderes.

Para quem chegou até aqui sem saber do que se trata, estou falando da decisão risível da Alerj de libertar Álvaro Lins. Álvaro como todo mundo já sabe, incluindo meu padeiro que é analfabeto e cego, é mais culpado que um padre num convento as três da madrugada. Parece, inclusive, que os únicos que não sabem disto são os 40 deputados que votaram na Alerj a favor da libertação.

Mas onde estão os nossos Heróis? Onde está o nosso Elliot Ness para arrastar o Capone até a prisão? E mais importante, onde está o nosso judiciário para garantir que ele fique lá?
Sem fazer apologia, existia lógica em Capone. Por mais infrator que ele era, por mais danoso à sociedade que ele pudesse ser, ele não era eleito, não se sustentava com finanças publicas ou as explorava. Ele não era um protetor da sociedade, era cidadão. E nisso Lins, consegue ser pior, pois abusou da confiança do cidadão.
 

Em realidade o caso só fez provar novamente que não existe coerência em nosso sistema. E os eventos desenrolam de uma maneira que nos deixam perplexos. A comparação é forte sim, e Chicago era um cenário cheio de corrupção e violência nos anos 30. Mas foi nesse mesmo cenário que o sistema quebrou o ladrão. Aqui ao invés, parece que o Ladrão infiltrou o sistema. E por isso me pergunto, com quem é a maior sacanagem da comparação: Nós ou Chicago?

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Definido

Definido
Pedro Widmar

Este natal já sabia o que ia ganhar. Pedi a todos que contribuíssem para me dar um dicionário Houaiss. Desde vê-lo pela primeira vez fiquei encantado. Adoro livros. De toda espécie, e pra quem acha que não se pode ler um dicionário, digo pfff. Mas fiquei decepcionado ao examinar a publicação pois sempre tive a mais alta opinião de sua integridade. E admito que por isto não desisti dele ao ver que algumas definições estavam incompletas enquanto outras estava plenamente erradas. Atribuo estes erros de definição em maior parte a serem definições que apesar de caberem nos dicionários internacionais não se conduzem com a realidade do Brasil. Porem, Submeto então minhas sugestões para aprimorar a edição que categorizei em duas partes: definições acrescentadas e definições re-escritas.

Definições Re-escritas

Cidadão- Um ser sujeito a todas as imposições do governo, sendo elas financeiras ou proibitórias, que em nenhuma hipótese deve se beneficiar de algum de seus direitos. O ente apesar de reclamar obsessivamente dos problemas infra-estruturais do seu sistema político, não deve se submeter a qualquer esforço para muda-lo. Predominante na vida do ente deveria sempre estar o futebol.

Político- Um ser cuja eleição democrática o determina impunível pelas normas sociais, e que é encarregado de agir nos interesses próprios para garantir o enriquecimento desproporcional à quantidade de trabalho durante seu mandato. Este apesar de ter algum conhecimento das realidades do território ao qual governa, não deve se aproximar desta realidade. Por isto deve ser remunerado de maneira que o deixe viver fora dos padrões de seus sujeitos. * mais facilmente comparado a nobreza do que com funcionário publico.

Imposto- Carga tributaria imposta a cidadãos (excluindo sempre políticos e seus parentes) que é distribuído entre setores do governo. A carga monetária uma vez distribuída deve ser destinada ao melhoramento de instituições publicas. Este sistema se baseia numa relação monetária em que por toda parte digamos (X) que se encaminha à instituição, uma certa parte (Y) deve ser depositada diretamente numa conta off-shore para o uso do político que gerencia aquela instituição e outra parte (Z) para a conta de quem a depositou. **Normalmente a relação entre as três partes funciona de tal modo. Z+Y= X/2

Melhoramento- uma espécie de publicidade escrita ou verbal que demonstra as fartas melhoras de algo, independente de seus reais índices de progresso ou se de fato o mesmo existir.

Responsabilidade- Carte-Blanche.

Ordem- Caos incontrolável devido à falência e corrupção institucional das instituições publicas. Uma espécie de anarquia em que todos estão sujeitos ao que os armados quiserem. A idéia vem mão em mão com progresso.
Progresso- Estagnancia demarcada por ma distribuição de bens. A teoria de progresso deve sempre ser agrupada com publicidade ao inverso. *veja melhoramento.

Vida- Sobrevivência.

Definições Acrescentadas

À definição de MULTA acrescentar : de característica monetária, imposta sem nenhum efeito repressivo ao comportamento que pressupõe alterar.

À palavra CADEIA acrescentar : Casa e comida garantida aos custos da sociedade onde criminosos aprimoram sua profissão através de confraternização com outros presos.

À palavra POLICIA acrescentar : Profissão que providencia dois ou mais salários, dependendo da disposição do individuo. Deve ter o mínimo de conhecimento das leis que impõe e em caso de falhar a este requerimento, deve fingir o tal para fins lucrativos.

Por enquanto não tive chance de ver mais que isto, mas com tempo espero aumentar minha lista de correções para serem mandadas à publicação. Em esperança de que as palavras do livrão de referencia sejam mais fieis às realidades sociais, convido todos a adicionarem suas definições mandando um e-mail para o Houaiss. Ou pelo menos espalhando esta crônica

 
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