quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Jogo de Espelhos

A recente oferta feita pelo presidente israelense de congelar por 10 meses a construção de assentamentos na Cisjordânia, que exclui projetos já aprovados e futuras construções de infraestrutura, representa a prorrogação de estratégias retardatárias à resolução dos problemas no região. Como alguns jornais brasileiros optaram por anunciar a medida de forma milagrosa nos títulos, para só depois explicarem que a ação é somente parcial, achei importante abordar aqui a engenharia da oferta.

Nos últimos meses após o discurso de Obama no Egito onde ele pediu o “congelamento imediato e total de assentamentos” Israel adotou uma posição e atitudes negativas aos pedidos do presidente norte-americano. A mais agravante sendo o recente anuncio da construção de 900 casas novas no assentamento de Gilo. Sendo que a posição para Israel já se encontrava difícil, homens sãos poderiam perguntar, por que então tomar uma ação tão forte? Para mim a decisão de anunciar um ato tão significativo logo após o anuncio de Abbas de que abandonará a liderança da autoridade palestina por falta de êxito nos últimos 4 anos de negociações, que em total já duram 18 anos, demonstra um teste direto á presidência de Barack Obama.

Timeo Danaos et dona ferentes. A oferta de congelar os assentamentos serve como um termômetro para de ver até onde podem ir com o novo presidente. Mas a tática já começou com as 900 casas anunciadas pelo Ministério do Interior. Se recebessem um tapa na mão demasiadamente forte, o primeiro ministro podia anunciar que não estava ciente dos planos mas que na busca pela paz pediria ao ministério congelar a construção, sairia como herói e jogava para os palestinos. No caso de um tapa leve, faria o que fez, o anúncio de uma medida cosmética que não o custa esforço real. E caso de não receber advertência alguma, o jogo estava ganho: Carte Blanche para Israel.

O erro foi justamente de Obama que ao invés de se pronunciar de forma firme diante o anúncio deixou para seu porta-voz Robert Gibbs expressar palavras levianas: tapa leve. Com isso Israel anunciou sua medida igualmente fútil e aqui estamos novamente diante de um impasse de duas décadas.

O estabelecimento de um país palestino é fundamental para a solução do oriente médio. Ações generosas e fieis à busca pela paz por Israel igualmente. A indignação do povo árabe e a iminente ameaça a Israel nunca desaparecerão se os israelenses não se desempenharem em ganhar respeito na região. E, infelizmente, posições como as adotadas recentemente trabalham no contrassenso deste objetivo.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Lula e o Irã Nuclear

Diferentemente de tantos colegas no ramo jornalístico, não sou PT. Não sou por não ser, afinal não SOU nada, apesar de estar muitas coisas... Também não me alego imparcial ou objetivo, pois por mais que tento alcançar esta admirável condição zen tenho o mínimo de ciência que tal é quase impossível. Mas tenho me empenhado nesta coluna a usar meus filtros culturais para julgar com decência e consciência limpa. E nesse espírito, mesmo eu que tenho há anos martelado o presidente Lula neste espaço não me envergonho de reconhecer o prazer que nosso guia me trouxe nas ultimas semanas. Falo aqui da política exterior do presidente. Afinal, até relógio quebrado acerta duas vezes por dia.

Se a visita de Ahmadinejad for simbólica para este país, como exclamam tantos, arguo que seja pela maturidade que nosso país demonstra em suas relações exteriores. Ao receber Shimon Peres, Mahmoud Abbas, e agora Ahmadinejad o Brasil mostra uma vontade real de dialogar, o que na política internacional é uma virtude. Não defendo aqui os atos de Ahmadinejad e muito menos debato se o Irã é um país democrático, pois já admito estar farto da deificação da Democracia, especialmente diante o uso que se faz dela para justificar atos respaldados por interesses econômicos. O país é o que é, e o presidente eleito é Mahmoud Ahmadinejad. Ignorar este fato não o mudará.

Mas já que tantos pontos sobre o iraniano parecem irritar tantos, devo esclarecer o que sei do caso aqui. Deixando de lado as exclamações que tanto seguem Mahmoud sobre Israel, e que já foram comprovadas como mal-traduzidas, acho importante abordar o recente imbróglio causado pelas exclamações estadunidenses e israelenses sobre o “compromisso” do Irã com a questão nuclear. Sendo que Israel não abre suas portas para inspeção da AIEA (IAEA dependendo de onde esteja) ou esclarece duvidas sobre seu suposto arsenal nuclear não vejo como se acham no direito de opinar a questão. Mas deixando isto de lado, semana passada o Irã ofereceu entregar sua carga de material nuclear inteira em troca de urânio enriquecido a 20o para gerar energia nuclear (incapaz de fazer uma bomba) se os paises aliados aceitassem fazer a troca em solo iraniano. A preocupação do governo é que não terão garantia de ver seu urânio de volta uma vez que o entregarem. Sendo que os EUA somente tinham pedido 75% do material em troca, vejo o ato como gesto equilibrado e de boa fé.

Mas então porque os EUA não só ignoraram a contra oferta do Irã como também a trataram como uma rejeição de colaboração? Afinal o Irã é uma nação soberana que já abriu suas portas à IAEA e atualmente se encontra em dia com seus compromissos internacionais, isso por afirmação do próprio ElBaradei, Diretor Geral da IAEA.

O real problema não tem nada haver com capacidade nuclear bélica, pois até o Irã sabe que se atacasse Israel logo veria suas terás invadidas. O trama nuclear no Irã se resolve em um anunciado. Lá vai: Já que o Irã é um dos maiores produtores de petróleo do mundo mas por falta de desenvolvimento infraestrutural compra a maior parte de seu produto de volta dos EUA refinado, o que é usado para gerar a maior parte de sua energia elétrica, uma usina nuclear iraniana nacionalmente sustentável mataria este mercado para os EUA. Pfiuu, Deixa eu respirar. A inflexibilidade dos EUA em aceitarem a contra oferta iraniana comprova esta teoria. Por manter controle do enriquecimento de urânio iraniano, os EUA continuaria a controlar a energia do país, seja em conjunto com a Rússia ou França, ou não. E aí está.

Em seu convite ao presidente Iraniano Lula mostra que não está jogando o jogo dos Americanos, pelo menos diretamente (Sempre há a possibilidade da troca de uma condenação posterior ao Ahmadinejad por uma contribuição “anônima” à candidatura de sua queridinha). Mas mesmo assim o ato solidifica neste continente a soberania do Irã e seu líder. Por isso aplaudo nosso presidente neste sentido, como o vaiaria em tantos outros.

*Tradução oficial das palavras do discurso de Mahmoud Ahmadinejad sobre o regime zionista (nunca usou a palavra Israel)

http://www.memri.org/bin/articles.cgi?Area=sd&ID=SP101305&Page=archives

Panurge e o Coco

Panurge Constante, sujeito que vez por outra encontro no boteco Copanema, reclama constantemente da prefeitura. Tento o acalmar com argumentos corriqueiros sobre a evolução do Rio e a iminente paz do eminente Paes, especialmente diante de seus episódios dramaticos - recentemente jogou uma garrafa no meio da rua. A causa foi a proibição da venda de coco pelas barracas nas praias.

Panurge me garante que se trata de limitar o mercado livre para garantir a rentabilidade dos novos quiosques em Ipanema. Tentei seguir o pensamento mas fiquei um pouco perdido. Aparentemente para meu caro amigo francês, a prefeitura queria inflar as vendas dos quiosques em Ipanema artificialmente para aumentar o valor das licitações na próxima rodada de renovação que acontecerá no bairro. Como se sabe os quiosques de Ipanema continuam no estilo antigo e simples. Tentei explicar a Panurge que isso seria impossível, que tais esquemas Machiavélicos não existem na vida real e que não passam de roteiros de cinema. Mas o velho não quis escutar, se levantou foi em direção á praia onde disse que iria jogar alguma coisa na água, não ouvi direito o que.

Pobre Panurge, sujeito dramático, sonha demais.

Complôs Socialistas nos EUA

Por Matt Wuerker do Politico

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Coincidências da Semana

Tinha um Goldstone no meio do caminho...

Esta semana a ONU passou uma resolução no Conselho de Direitos Humanos por maioria esmagadora que pede investigações internas em Israel e na Faixa de Gaza sobre ações durante o conflito do final do ano de 2008/ inicio de 2009. O “Goldstone Report”, (clique para ver na integra) que causou revolta em Israel e no congresso estadunidense acusa os dois lados de terem cometido crimes de guerra. O Conflito de Gaza como é conhecida a operação militar de Israel que procurava matar membros do partido de situação democraticamente eleito em gaza, o Hamas, levou ao massacre de cerca de 1.400 palestinos, destes estimadamente 400 foram crianças, e 13 Israelenses.

O juiz Goldstone da África do Sul levou a missão de investigar o conflito a serio. Tão a serio que se recusou a somente investigar Israel, como tinha sido instruído a principio. Ao invés, pediu uma extensão para olhar também os atos palestinos e a partir de investigações em Gaza (a equipe teve que entrar pelo Egito, uma vez que Israel se recusou a colaborar com a ONU) encontrou fortes indícios de crimes de guerra dos dois lados. Israel nega colaborar com as recomendações do documento chegando a chamar o “report” de altamente desequilibrado e preconceituoso a Israel. O engraçado é que o Juiz Goldstone que liderou a equipe e escreveu as 575 paginas do documento é judeu.

Os palestinos e Israel têm 3 meses para conduzir as investigações, caso contrario a questão vai ao ICC (tribunal internacional de crimes). O que não foi abordado ainda pelos jornais, e nem a missão Goldstone é o fato que gaza era para ter uma eleição em janeiro de 2009, justamente quando se encontrava sobre a chuva de mísseis e fósforo. A eleição, que seria local*, certamente consolidaria a posição do Hamas na região o que deixaria a mesa de negociação bastante difícil para Israel e os EUA no futuro. Coincidência? O mundo está cheio delas...

* A informação originalmente exposta aqui sobre as eleições foi que seriam presidenciais. Porém, esta informação estava incorreta, as eleições seriam locais.

Atos/Atalhos

Acho uma imensa e curiosa coincidência, por exemplo, a iniciativa do governo de situação de enfraquecer o TCU logo que anunciada a decisão sobre as Olimpíadas de 2016. Me parece que numa hora dessas é que o trabalho do tribunal seria mais necessário para garantir que as obras para a Copa e as Olimpíadas não se tornassem outro escândalo de desvio público num pais tão

propicio a tais práticas. A proposta almeja debilitar justamente à habilidade do tribunal de paralisar obras, ou seus recursos, caso sejam questionáveis, e em outra gigantesca coincidência vem alguns meses após uma reportagem d’O Globo sobre obras irregulares do PAC.

Quem sabe algum dia em nosso país a ideia de melhorar o funcionamento de obras públicas contará com um esforço maior para prevenir desvio de verbas em vez do contrario. Imagina só...


sábado, 31 de outubro de 2009

O que se faz ao presenciar corrupcão? (Caso Real)

O cidadão do rio por mais vezes que não reclama que sua sociedade se encontra corrupta. Diante da passividade de uns e atividade de outros, nossas instituições falharam. Mas então o que fazemos quando vemos, como vi hoje, a corrupção ativa de policiais.

Os fatos: Às duas da tarde ao andar por Ipanema vejo um carro da Policia Militar numero 54-3403 parar perto de um caminhão que fazia descarga dando duas alertas da sirena antes de passa-lo e parar em frente ao veículo. Ao sair do carro dois policiais, um de carabina na mão, começaram a andar ao caminhão antes de ver um chinês que por ali passava, aparentemente sem envolvimento algum na descarga. Tornaram suas atenções ao homem que ao resistir confuso foi arrastado, ainda em pé, ao carro da PM. Lá foi revistado de forma grosseira chegando a levar um esporro para calar a boca. Depois, apesar de nada encontrado fora jogado no banco traseiro. Para finalizar um dos homens que ali faziam a descarga e até então sequer tinha sido abordado se aproximou aos PM’s e de forma discreta, um aperto de mão, os passou algo, presumivelmente dinheiro.

Ao chegar na próxima cabine da PM na praça General Osório encontrei quatro policiais da unidade almoçando e perguntei o que estava acontecendo. Fui informado que “deve ser drogas”. O policial ao ouvir meu relato sequer interrompeu seu almoço e explicou que foi maneiro minha preocupação, aparentemente me elogiando por algo extraordinário, ou pelo menos mais do que ele faria. E então?

Ao chegar em casa liguei para o Disque Denuncia onde tive a oportunidade de ouvir “Fur Elise” durante dez minutos antes de desistir. No site da prefeitura fui novamente frustrado ao ver que não existe área para denuncias. Mas o maior empecilho foi quando ao entrar na pagina do Governo do Estado do Rio de Janeiro e encontrar uma área para denuncia anônima (ou seja já se pressupõe medo do cidadão se for honesto) e ser informado a descrever detalhadamente o evento, minha denuncia foi negada por passar de 6 linhas. E depois de editada, continuamente negada sem razão aparente.

E a pergunta que não quer se calar, O que faz o cidadão diante da corrupção continua? Nada. Sentem de braços cruzados, pois qualquer ação será frustrada. A semanas os céus nublados não passam na cidade maravilhosa, parece metáfora, ou coincidência, mas é fato.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

IOF no Reino da Dinamarca

Enquanto o mundo se preocupa com balões e outros tantos, a recente e talvez polêmica IOF é causa das manchetes de economia. No suposto interesse de manter o Real fraco contra o Dólar nosso governo tem assumido uma posição preocupante diante a queda da bolsa. Mantega, nosso ministro vaselina, chegou a explicar que “um excesso de capital no mundo poderia causar uma bolha na nossa Bolsa” (como visto n’O Globo 21/10). A taxa inibiria a entrada demasiada da moeda estrangeira.

Traduzido do economês, taxar os Dólares que entram diminui a quantidade destes o que o fortalece no território nacional ao mesmo tempo enfraquecendo o Real. A idéia é fortalecer o investimento direto e tira-lo da bolsa.

O problema é que no Brasil, que somente se industrializou a menos de oitenta anos, ainda não se desenvolveu uma cultura de investimentos forte. Estes em grande parte foram feitos por esforços estrangeiros ou com capital destes. No momento o país encara uma era de grandes investimentos (pré-sal, olimpíadas, copa...) e uma taxa sobre a moeda estrangeira, que dificilmente inibira sua entrada, pode causar o efeito indesejável de constringir o investimento domestico. Isso devido ao Real fraco no território nacional que não conseguirá competir com capital estrangeiro. E se conseguir, há algo podre no reino da Dinamarca...

Também existe como tem sido praxe com nossos governos o risco comodismo. Uma taxa sobre os dólares que entrarem será uma forma de lucro certo, o que pode levar, como foi o caso em tantos outros países emergentes, à falta de ação interna. Ao pé da letra significa que se o governo receber o imposto por fazer nada, não terá interesse em melhorar a situação para o investimento nacional. Terceirização do crescimento.

As políticas econômicas neste país surgem de trás de uma cortina de seda, aparentemente calculadas estrategicamente visando o futuro do país. Mas como já foi dito neste blog mais se parecem com balas perdidas, soltas sem meditação ou o devido debate público. Isso em parte se deve ao publico que pouco se interessa pela economia do estado e raramente sabe para onde vai o dinheiro que contribui. Por outro lado é categórico de um estado de um líder carismático que é tratado como herói do povo ao invés de administrador eleito. Mas este é outro texto.

Deveríamos analisar os próximos anos com cuidado e paciência, pois nossas atitudes economicas agora definirão a situação das gerações porvir.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

KIng Size do Rio de Janeiro

Lá vai para quem ainda não conheceu... Este sem comentários deu um show de entrevista.
Conheçam também a comunidade do orkut cujo texto me fez rir a manhã inteira!!!


Simplesmente a coisa mais genial que vi nas últimas semanas. Fico imaginando um bando de integrantes da máfia chinesa sentados em volta de uma mesa pensado em maneiras de zoar ele. Se dedicando religiosamente a destruir a vida deste cara. Ouro puro...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Estado do Sitio

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­­Zelaya meu caro Zelaya

Está ai um cara que realmente conseguiu um ato inédito beirando milagre: rejeição Norte-americana de um golpe de estado na América Latina. Merece premio, neh? Que tal um Oscar? Ou talvez beatificação...

Panem et Cicernes: Uma receita desastrosa

Petro-sal. O mundo de negócios não fala em outra coisa. É só adicionar uma Olimpíada e 10 minutos no microondas que o público está novamente convencido que o Brasil é o país do futuro. Com segue a velha piada, sempre será. Acontece que por incrível que pareça, existe um extenso acervo de estudos sobre os efeitos políticos e econômicos dos paises onde se encontrou reservas de petróleo. Se chamam (veja só tem até nome) Rentier States. Incrivelmente, nenhum deles se encontra hoje em condições de maior desenvolvimento econômico, político ou social. Inclusive, sem exceção continuam todos onde estavam, alguns piores. Por que? Divide et impera. Mas levando em conta o modelo básico de negócios, podemos ter certeza que não interessa aos gigantes do petróleo ter maior oferta do que demanda. Food for thought.

Coincidentemente, existe um estudo feito por uma jovem Iraquiana Nila Alahmad chamado “The Politics of Oil and State Survival in Iraq (1991–2003): Beyond the Rentier Thesis” que seria imprescindível para quem quiser entender melhor os sintomas dos Rentiers. Cobre a historia política/econômica do Iraque durante os 10 anos antes da invasão. É um trabalho bastante esclarecedor neste sentido e também sobre a invasão. Para quem tiver tempo...

Diário da Colônia

Mais uma vez na colônia de Santa Cruz degustamos uma inversão dos valores republicanos. Alguns talvez se lembram quando diante a “ousadia” do juiz Fausto de Sanctis de prender Daniel Dantas, que hoje já não faz mais capa de jornal, o Presidente da STF deu um salto para os microfones para defender o Danielzinho. Isso num caso criminal, e claro, se apressando no tramite judicial para intervir. Afinal, coisa importantíssima. Enquanto isso, um ano e tanto depois, o presidente da câmara dos deputados ignora ordem do STF para divulgar dados sobre a verba indenizatória à Folha e o que acontece? Nada mais nada menos que o resultado “inesperadississimo” do velho faroeste de cabeleireiro: Papo pra lá, papo pra cá. Resumindo, o caso de um homem requer intervenção imediata da corte suprema, enquanto a transparência de gastos públicos que potencialmente revelarão danos a todos nós, nem tanto. Ou seja, 200 milhões de brasileiros não valem um Dantas.

Entre as varias estipulações postas por Rousseau para a existência de legitimidade do Poder está o preceito de igualdade formal entre os homens, isto é política e jurídica. Mas o que ele sabia...

WQS

Para quem se interessa, a etapa de surf carioca do WQS (qualificadora mundial) patrocinada pela Oakley está congelada. Acontece que apesar dos subsídios substanciais, inclusive do Metrô do Rio que sempre alega falta de recursos para adiantar suas obras, o mar não colaborou. O dia ontem fechou sem ondas, causando a 20a bateria a ficar esperando na areia, antes de ser dispensada. Tudo indica que teremos a continuação do evento até quinta. Boas ondas.

sábado, 26 de setembro de 2009

Rio em… Van

A ação do governo do Rio para inibir o uso das Vans me fez reconsiderar a situação destas. Usufrutuário do transporte publico, fico indignado quando vejo as vans cometerem escandalosas infrações no transito, ou acampadas “ala centúria” no ponto dos ônibus, impossibilitando a parada destes. Mas após reflexão sou obrigado a admitir que sempre abordei a questão com um certo preconceito. As vans trabalham na ilegalidade, não contribuem, não respeitam os transito, não têm regulamento- pouco a pouco todos meus argumentos se desmancharam diante de uma nova abordagem. Eis o que da questão...

Volta e meia sou obrigado a ouvir discursos sobre a redistribuição de renda, como se fosse possível tal artimanha por meios diretos. Inclusive a expressão por um todo não passa de slogan político, esvaziado pela frequencia de uso. Redistribuição de riqueza somente ocorre com a redistribuição de posse dos meios de colher riqueza ou com vontade publica contra o privado, duas coisas que no Brasil não acontecerão tão cedo. Tal impossibilidade é demonstrada pelo sistema de transporte público que se encontra nas mãos dos 47 donos de empresas que controlam os ônibus no Rio.

Quanto será o lucro das empresas? Não consegui encontrar, mas sei que um motorista de ônibus ganha uma miséria, contador igualmente. O lucro de operar uma van pode chegar a triplicar o estipêndio. Ou seja, trocando empresas de ônibus por vans autônomas, ocorreria uma redistribuição de renda direta da noite ao dia. Isso se não houver um bando de laranjas à frente de um novo monopólio de vans. Também seria melhor para o meio ambiente uma vez que as vans andam à base de GNV. Parece claro demais, não? Mas e o transito, como ficaria com tantas novas vans?

O bom da van é que além de ser um veiculo menor, também seria autônomo. Ao contrario das empresas de ônibus que podem sustentar suas frotas andando vazias pelas ruas o proprietário autônomo não. Ou seja, o mercado de vans se auto-regularia, um caso de oferta e demanda clássico. Pelo mesmo principio, os preços cairiam, uma vez que a competição direta levaria à procura por melhorar o serviço.

Deslocamento de trabalhadores seria o menor problema uma vez que cada dupla motorista/cobrador poderia simplesmente assumir uma van. Seria até negocio para a economia uma vez que o governo poderia disponibilizar através dos bancos o credito para a compra dos veículos, todos com GNV. E a produção de carros...etc. etc. etc.

Então pergunto: Por que diante de fatos tão simples de entender, num país como o Brasil onde a classe intelectual esquerdista profere tanto a tal redistribuição e a classe popular igualmente, consegue-se passar uma medida política que tão obviamente anda no contrassenso da tendência?

Resposta: A razão é que os interesses do velho “clube dos meninos” continua a prevalecer na esfera política do Rio. Sem educação, saúde, ou ordem publica, o sol gira diariamente sobre uma cidade onde a luz se recusa a acender.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Engenharia de Sintaxe e o Irã


Tem sido vergonhosa a 'engenharia de sintaxe' com que a Grande Imprensa escolheu noticiar os recentes desenvolvimentos da eleição do Iran. “Líder pede investigação”, “supremo líder ordena inquérito”, etc. foram só alguns dos atentados à ética jornalística. Mas a divergência entre os verbos escolhidos e o conteúdo da matéria fica claro para qualquer um, que o procure.

Em momento algum destas matérias (NYT, Folha, Globo, Reuters, Telegraph, Corriere...) se encontra qualquer frase afirmando que o aiatolá se levantou e “demandou” que a eleição fosse investigada. Apesar de ser este o entender que se passa com tais manchetes. O aiatolá não pediu, ordenou, ou demandou nada. Sendo supremo líder do Irã ele simplesmente acolheu um pedido do candidato de oposição para investigar as eleições, e de forma bastante justa, apesar das acusações de tirania feitas contra ele, sanciounou-o. Qualquer manchete que faça menção a ação tomada por sua parte é uma tentativa de confundir o leitor. Agora o pedido se encontra nas mãos de um conselho que afirmou que concluirá a investigação em 10 dias, ou seja, uma fração do tempo que leva para abrir uma CPI por estas partes.

Gostaria de especificar, expor, e explicitar (ficou claro?) que não sou a favor nem contra a administração Ahmadinejad. Mesmo assim como acho que esta questão em nada importa, coloco-a conscientemente no pé desta crônica. Não posso avaliar o presidente eleito por critérios morais, até por não viver no Irã e não conhecer a realidade daquele povo. Sei o que leio nos jornais. Nesta base ele seria uma espécie de Diabo-encarnado. Parece-me pouco provável que o presidente não tenha feito nada de bom ou de acordo com a vontade do povo em 4 anos. Muitos detestam o Ahmadinejad, o Chaves, e tantos outros líderes sem sequer saber o que estes realmente fazem. Devemos lembrar que só porque deu no Jornal, não quer dizer que é a absoluta verdade resistente a interesses corporativos. Por isso, como jornalista, tenho que aceitar que Ahmadinejad foi eleito por voto popular e direto, pelo menos por enquanto.

sábado, 13 de junho de 2009

Intrigas do Estado

O nível de paixão demonstrado por Russel Crowe em suas considerações à blacktree.tv (veja abaixo) sobre os vícios praticados na grande imprensa e o atual estado da midia, transcender ao telão no seu novo personagem. Em Intrigas do Estado (State of Play no original) Crowe interpreta o repórter Cal Mcaffrey, que através uma coincidência de eventos encontra uma relação entre dois episódios aparentemente distintos, assim desvendado uma conspiração de tamanhas proporções. Viu não dei nada. Apesar do trama se basear numa coincidência como premissa, o filme é relativamente seco no uso das rotineiras absurdidades do cinema hollywoodiano. Em lugar do slogan tão previsível que colocaram no filme- Find the Truth - sugiro outro: conspiração, carnuda e suculenta.

Como muitos ao meu redor, fiquei em estado permanente de arrepío após os primeiros vinte minutos do filme. Na base de um roteiro sólido, o que duvidei nas primeiras seqüências, o diretor Kevin Macdonald construiu um longa altamente cativante, mesmo que algumas das atuações foram fracas e por vez ou outra inacreditáveis.

Mesmo assim tenho que admitir que o filme revelou uma grande surpresa. Enquanto Helen Mirin, que em nada parecia com uma editora de jornal impresso, atentou contra o pudor numa interpretação merecedora do Razzie, e Rachel Macadams solidificou sua marca mais firme como atriz, a inconstância, Ben Affleck se redimiu totalmente como ator de grande calibre. Além de uma participação secundaria sua interpretação 'contida, mas precisa', lembraram a atuação spetacular com que o astro primeiro veio aos holofotes em Good Will Hunting. Talvez um sinal que Affleck está de volta ao nível de Hollywoodland (2006). O ator teve êxito até em seu uso do sotaque virginiano (difícil de reconhecer e mais ainda de interpretar). Mas sem duvida o premio vai a Crowe, que novamente se transformou integralmente incoporando traços carateristicos da essência do jornalista em sua interpretação.

Contudo, como filme de jornalismo Intrigas de Estado está à altura de outros como Todos os Homens do Presidente, Boa Noite e Boa Sorte, e O Informante, apesar de ser ficticio.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O Cerco Aperta

            Os prisioneiros de Guantánamo estão em posição precária. O partido democrata dos EUA anunciou que não liberará a verba necessária para fechar a prisão de Guantánamo (não a base naval, como muitos acreditam). Acontece que ambos partidos no congresso requerem detalhes meticulosos sobre o assunto antes de decidirem a questão. O maior empecilho atualmente é onde colocar os suspeitos de terrorismo.

            Por mais hipócrita que possa parecer, os dois partidos do congresso se manifestaram veementemente contra abrigar os prisioneiros em solo americano. A razão dada ao público: medo, como sempre. Os senadores expressaram preocupações de que abrigar os detentos nos EUA, até em prisões de segurança máxima, aumentaria o risco de ataques terroristas. Engole quem conseguir.

            Tenho minha duvidas de que o medo real dos atuais governantes, não é de ataques terroristas, nem da minúscula possibilidade dos detentos escaparem. O medo real de qualquer governo que se diz democrático é, ou pelo menos deveria ser (ex. Brasil), sempre o mesmo: a opinião publica. Afinal, imagina as repercussões de constantes protestos enfrente às prisões por grupos humanistas, e cidadãos indignados com a guerra. Out of sight, out of mind. 

            Na prisão da base naval de Guantánamo, litoral sul da Cuba, os prisioneiros aguardam esquecidos pelo tempo. Os debates políticos, assim como a investida de grupos de direitos humanos e algumas publicações, contra as detenções não têm a mínima chance de gerar qualquer conclusão enquanto não se abordar a questão essêncial.

            Que direito tem os EUA de deter estes homens? Contra quantos deles existe sequer uma prova incriminadora? 

           O documentário Caminho para Guantánamo mostra claramente a arbitrariedade com que tantos destes homens foram capturados. Pode se argumentar que se trata de um caso isolado, mas quantos outros decorreram das mesmas normas usadas para capturar estes “terroristas?”  

            Então, onde vão parar estes detentos? Será que o governo Obama vai ter que recuar novamente em suas tentativas contra a situação herdada em Guantánamo?

domingo, 17 de maio de 2009

Operação Solução Alheia

            Esta semana voltei a surfar após três meses fora. Sentado numa prancha no mar a vista da cidade é única. Imagino que somente uma fração dos que moram nesta cidade a conhecem assim. Mas mesmo diante das belas sombras dos prédios da Vieira Souto que estampam a praia, não consegui evitar certa tristeza. A floresta dos dois irmãos, que há dois anos adornam o logo deste blog, está desaparecendo rapidamente.

                A favelização do espaço urbano que já devastou alguns dos mais lindos- sem dizer mais caros- pontos da cidade, agora sobe os pés dos irmãos como uma gangrena irreversivel. A vista do calçadão ou mesmo da praia, não mostra o real agravo.

Me pergunto, a fiscalização é realmente tão precária que não é possível impedir as construções? Existe fiscalização? Diante deste quadro começo a concordar com a ideia dos muros que encantou tantos cariocas.

            Mas talvez antes de simpatizarmos com medidas tão drásticas, deveríamos ter uma segunda opinião. Afinal sem conhecimento não tem planejamento, e sem os dois nenhuma ação renderá frutos. Pode ser por pura ignorância, mas não consigo pensar em país algum que tenha lidado com uma situação destas, pelo menos com qualquer sucesso. Não é como a solução das bicicletas de Paris que o Sergio Cabral pôde copiar (dá inveja os problemas deles). Nesta linha de pensamento concebi a Operação Solução Alheia (a PF já tomou os nomes bons).

            Na primeira etapa da operação mandaríamos alguns milhares de brasileiros gradualmente aos EUA. Sugiro entrada pela fronteira do México, afinal qualquer coisa entra por lá, menos mexicanos. Tinha pensado numa lista especifica de candidatos, mas creio que o STF precise de um presidente para funcionar, portanto podem ir os servidores públicos, que aparentemente é o que não falta por estas partes, especialmente no senado. Ao chegar, nossos brasileiros tomariam o morro de Hollywood. Lá secariam suas roupas nas celebres letras que vigiam a cidade, montariam seus barracos, e teriam as tarefas de devastar a mata e ocasionalmente perderem umas balas- quantia a ser definida pelo Ministério de Planejamento, Orçamento, e Gestão. Claro, tudo financiado pelo bolsa família. Pronto, agora é só observar.

            Uma equipe mista de sociólogos e parentes de políticos (necessários em qualquer projeto brasileiro) vão analisar como os Estates lidam com o problema, detalhando cada passo num dossiê, muito como o da Dilma. E vapt-vupt!!! Teremos nossa solução.

            No final das contas é só imitar o que fazem lá. Afinal, esta estratégia já antiga tem dado tão certo aqui...

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Queimando e Ardendo


O número alarmante de queimaduras causadas por álcool líquido (em 2001 foram 150 mil casos, 30% deles em crianças) levou a Anvisa a publicar em fevereiro de 2002 a Resolução nº 46, que proibia a venda do produto com graduação acima de 54 GL, a ser substituído pelo álcool em gel. Em dois anos houve queda de 60% nos casos de queimaduras.

Mas a resolução foi driblada. Enquanto alguns produtores se adaptaram, outros criaram em 2002 a Associação Brasileira de Produtores e Envasadores de Álcool (Abraspea), que recorreu à Justiça questionando o poder da Anvisa para a proibição. Em 2004, obteve liminar favorável. Poucos meses depois, o número de casos voltava aos patamares anteriores.

O governo optou então pelo caminho legislativo. Com a Mensagem ao Congresso Nacional nº 813, de 2005, o presidente Lula enviou projeto de lei ampliando os poderes da Anvisa na questão. Na Câmara, o texto acabou apensado a outros dois projetos similares, de 2004 e 2007. Agora conhecido nos bastidores como o PL do Álcool (nº 692/07), foi aprovado por “margem apertada” na Comissão de Defesa do Consumidor e continuou o trâmite para a Comissão de Seguridade Social e Família(CSSF). Lá dormiu desde 2007, à espera da nomeação de novo relator — o primeiro, Dr. Pinotti (DEM-SP), na época foi licenciado. Com novos integrantes, a comissão demorou a retomar o projeto.

Por coincidência, uma semana após minhas ligações para a CSSF, sobre o projeto, que roncava há um ano e cinco meses, foi feito um pedido de reconstituição do projeto pela nova presidente da comissão, a deputada Elcione Barbalho. A reconstituição trata-se de remontar o documento físico devido ao arquivo ter sido encontrado incompleto pela nova presidência. Como a deputada me explicou:

“Existem muitos projetos importantes. Lógico, temos que priorizar alguns. Acontece que as comissões quase não funcionaram ano passado em função das eleições. Então agora estamos correndo. Por isso começamos a analisar os projetos, que são muitos, e nisso encontramos alguns deles incompletos, como esse, que eu acho de grande importância. Mas olhamos isso com muito carinho. Agora precisamos que o projeto esteja completo para ele ser redistribuído.”

Agora, resta saber quando o projeto entrará na pauta...

terça-feira, 31 de março de 2009

Contrassenso

Jean-Jaques Rousseau acreditava que todo o mal do mundo nascia da desigualdade. Enquanto defendia que a desigualdade física era incorrigível , acreditava que era nossa obrigação diminuir a desigualdade política/moral. O governo parece desconhecer essas filosofias que há tempo revolucionaram a forma do homem pensar.
Foi anunciado ontem um corte de dez por cento do custeio e investimento em educação. O impacto: Quem sabe. Já faltam professores, alunos passam de ano automaticamente, e poucos são alfabetizados. Mais adiante os que quiserem um diploma universitário precisam chegar armados na fila, porque vaga meus caros... são outros quinhentos.
Enquanto o sistema carece de vagas universitárias para os milhares que saem do segundo grau a cada ano, nossos governantes ousam ostentar a existência de um sistema de educação público. E apesar dessa violação grossa da Razão(também nascida da revolução) vemos a desigualdade infiltrada no resto do sistema. A nota média nas escolas públicas sendo abaixo de 6, os que podem são basicamente obrigados a gastarem fortunas com educação particular. Assim sendo, a sociedade se encontra segregada entre aqueles com instrução, e portanto perspectiva de empregos dignos, e aqueles que passarão as vidas infusos na ignorância, sujeitos ao trabalho escravo (485 reais é escravidão!). Pelo menos existe coerência: Não tem vaga na faculdade mas eles não têm instrução para passar na prova mesmo...
Há 250 anos Rousseau escreveu sobre a busca pela liberdade. Acreditava que essa só podia ser simulada, pois a sociedade, por sua essência, a cerceia. Mesmo assim arguiu que somente reduzindo as desigualdades chegaríamos a este estado de “menos mal”. Como todo produto importado, talvez as idéias chegarão aqui algum dia, claro com uma taxa de importação...

domingo, 22 de março de 2009


Coisas da Vida

Sexta em sua celebre coluna Coisas da Política, Mauro Santayanna fala da  terceirização de serviços pelo governo, afirmando que nem a ética nem a lógica a defendem. Não poderia concordar mais. Acontece que no capitalismo muitas vezes a lógica e a ética são dribladas. Penso nessas coisas enquanto espero meu ônibus cuja passagem diária(ida e volta) equivale apouco mais de um por cento do salário mínimo.


Obama? Meu obama?
Tenho torcido desde o inicio pela quebra com os “velhos hábitos de estado” que Obama prometeu. Por isso fiquei tão chocado com o que descobri recentemente. Em fevereiro deste ano no Ninth Circuit Court of Appeals dos EUA (tribunal de recursos) o governo Obama decidiu manter a posição da administração Bush sobre Rendição Extraordinária. Significa que sobre a alegação de prejudicar segredos do estado o governo bloqueará a abertura de qualquer julgamento ligado a pessoas raptadas pelo governo sob suspeita de envolvimento com terrorismo. Assim sendo, os que passaram anos expostos a torturas e depois foram inocentados por falta de provas, não poderão conseguir justiça nas cortes, nem limpar seus nomes. Meu Barrack? Não pode ser...


Semana azul
Faz duas semanas que dedico todo meu tempo livre(todos os 10 minutos diários) a Snorkeling. Descobri que existe uma quantidade extraordinária de vida marinha nas nossas praias urbanas, inclusive este amigo com quem tenho nadado frequentemente esta semana e que batizei de João. A foto não é minha. Logo mais espero tirar algumas para compartilhar.



Land of the Free, but bring a credit card...

O sistema de saúde arcaicamente liberal dos Estados Unidos voltou ao palco central. Desta vez o foco não é propriamente os cidadãos do país mas a economia. Acontece que há anos as grandes empresas temendo preços altos dos seguro de saúde para seus empregados têm migrado para o Canadá. Diante da crise Governantes de vários estados temem que os fabricantes abandonarão o país mesmo com incentivos e socorro federal do pacote de estímulos.

Porém...
Como foi defendido por um consagrado jornalista americano/brasileiro semana passada num bar carioca independente do ultrapassado sistema americano custar caro aos pacientes, o resultado é mais ou menos igual ao do moderníssimo sistema universal brasileiro. A diferença é que lá pacientes não são atendidos por não terem dinheiro, e aqui por inúmeras outras razões ... vergonha aos dois.



Uma boa semana para todos!!!!

domingo, 15 de março de 2009

Novidade, em termos...

Barack Obama assinou uma ordem executiva que permite a pesquisa de células tronco embrionárias e que o departamento de Health and Human Services patrocine tais estudos. A questão divide o povo. Um lado (41%) usa o argumento conservador, o outro ( 52%) defende as pesquisas na esperança de novas curas. Os méritos não me importam. De qualquer forma é um passo monumental para a ciência nos EUA.
Pelo menos foi o que pensei até descobrir que o decreto de George W. Bush contra o uso das células em 2001, pouco afetou a legislação estadual no país. Isso mesmo. Na realidade os estados de California, Connecticut, Illinois, Maryland, Massachusetts, New Jersey, New York e Wisconsin não só passaram legislações na época legalizando as pesquisas, como de fato produziram centenas de linhagens de células tronco embrionárias nos últimos anos.
Mas como que é possível? podem indagar.
A desobediência foi fruta da forma com que Bush proibiu o uso. Na época deu a diretiva em forma de Executive Order(equivalente a Decreto no Brasil), que não tem base explicita em lei constitucional. A ferramenta executiva tem sido debatida durante anos. Bush, que desgastou o artifício durante os dois mandatos, arriscava perda insuportável caso desafiasse a ousadia dos estados nas cortes. Podia chegar ao Supremo e limitar seu escopo de ação. Sendo assim teve que engolir.
Mas voltando ao miolo do pão, porque decretar (sem base legal) algo que já estava legalizado em tantos estados? O sal do molho (gostou?) é que até então fundos federais não poderiam ser usados para as pesquisas. O ato de Obama abriu o caminho para pesquisas de célula tronco com um investimento real. Agora temos que aguardar.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O Vôo da Crise

 Assistindo uma cena de Aviator, filme sobre a vida de Howard Hughes, me surgiu um paralelo entre palavras atribuídas ao magnata e a crise financeira. Na cena Hughes está sendo bombardeado pela retórica da família de Katherine Hepburn. Se defendendo à instigação da mãe da atriz, que ostenta que a família não se importa com dinheiro, diz, “somente porque você sempre o teve.”
    Hughes chegou à beira da falência varias vezes nos seus primeiros anos. E a resposta, verídica ou não, resume bem o caráter do homem, apelidado de Aviador, que durante sua vida trabalhou assiduamente, apesar de ter herdado um império. Mas além da perspectiva que dá sobre Hughes, a frase também aponta à realidade de uma classe e seu comportamento.
    Paul Krugman em artigo para o New York Times recentemente escreveu que os problemas dos EUA estão enraizados no endividamento do povo e sua falta de liquidez. Também adverte que as recentes tentativas da massa de economizar podem levar a uma queda na demanda de consumo. Concordo, mas proponho que esta queda talvez seja inevitável, por outras razoes.
    Descoberto há 500 anos, os EUA é um país novo. Foram cria de um mundo em evolução rápida e substancial. Muito como Hughes, que foi entregue uma fortuna aos 19, o fim da segunda guerra mundial entregou controle financeiro/político do mundo às mãos de um país então adolescente. E apesar de terem controlado o mundo por décadas, a ultima foi marcada por sucessivas derrotas.
    Grandes crises em nossas vidas tendem a nos amadurecer, e com o passar dos anos o Aviador aprendeu a ser eficiente com seus gastos e tomar riscos calculados enquanto construía a maior fortuna de seu tempo. Foi jogado à adultidade cedo e surgiu um homem. Veremos agora que destino terá sua pátria.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Coisas do dia

Ar Fresco

Para quem acha que o mundo gira em torno da lógica, aponto-lhes ao fenômeno de gêmeos feios. Semana passada os noticiários noticiaram (que surpresa) a noticia de um prefeito que comprou dez secadores de cabelo para secar documentos encharcados durante uma enchente. Em outro lado do país um deputado sugere o plantio de arvores obrigatório para quem quiser se casar, entre outras atividades. Diante de sugestões tão criativas, decidi dar meu palpite, vamos erradicar a fome no Brasil? Sugiro trocarmos as arvores dos centros urbanos por arvores frutíferas. Esta com fome, vai subindo...

Detalhe

De acordo com o JB, em defesa de seu amigo e partidário, Jarbas Vasconcellos, Pedro Simon veio ao palanque avisando “Eu sou favorável a falar, criticar. Se o partido tem alguma dúvida, que abra um processo. Mas acho que ninguém vai querer que ele (Jarbas) fale tudo o que sabe...”
Ninguém menos o contribuinte, neh Simon... com todo o respeito.

Ala Americana

Numa pequena cidade nas extremidades de São Paulo um prefeito instalou 24 câmeras no hospital para vigiar o atendimento. A idéia foi logo batizada de “BBB da saúde”. Por enquanto nenhuma reclamação dos funcionários, que aparentemente nada têm a esconder. Imagina se fosse nos bastidores do senado...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Mr. Jackson pt.1



No interesse de espaço preciso dividir esta crônica em duas partes. Portanto acredito que o texto abaixo já diz muito e portanto não sei quando retornarei a ele para finaliza-lo. Acabo de terminar um livro chamado American Lion: Andrew Jackson in the White House. Jackson como se sabe foi um presidente pouco popular dos EUA. Gostaria de transcrever um trecho (traduzido) do livro, escrito por John Meacham, aqui. A priori, prefiro me abster de opinar, potanto deixo a reflexão ao leitor.

...Jackson ... se deparou com um caso onde um homem, Russel Bean, tinha cortado as orelhas de uma criança durante um episodio de embriaguez. O xerife local temia Bean, que se recusava a aparecer no tribunal. ‘Russel Bean recusa a se entregar.’ o xerife disse a Jackson, que mais tarde contou o caso a Henry Lee. Com isso Jackson ficou surpreso e informou ao servidor que ‘tal resposta era absurda e não poderia ser aceita, o criminoso tinha que ser preso, e que o xerife tinha o direito de coordenar uma posse comitatus (quadrilha) para ajuda-lo a aplicar a lei.’ O xerife o pediu que se juntasse à posse. Se armando, Jackson concordou. ‘Estarei contigo para ver que cumpras teu dever’ ele disse ao xerife que o levou à cidade onde Bean ‘armado com uma faca e um cinturão de pistolas’ estava ‘se gabando de sua superioridade à lei e entretendo o povo com instigações e reflexões sobre a covardia do xerife e a timidez do tribunal.’ E foi então que o tribunal- na pele de Jackson- apareceu. ‘Agora se entregue seu vilão infernal, neste instante, disse Jackson, ou irei te deixar furado.’
Desinflado pela presença de Jackson...Bean... largou suas armas. ‘ Eu me renderei ao senhor, mas a nenhum outro’ disse Bean.
Jackson as vezes era temperamental e insensato, mas aqui, num pequeno pedaço de Tenessee, nós vemos a tremenda confiança que os outros tinham nele durante momentos de perigo, e o respeito que sua coragem inspirava em seus adversários. ‘Quando há perigo presente, não posso correr dele’ Jackson contou a Rachel (sua esposa). Ele se dispunha a fazer aquilo que os outros não faziam- ou não conseguiam. Num mundo de ameaças, esta disposição o tornava um herói, uma figura central, alguém em qual se podia depender.”

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Desgraças Semelhantes

    A administração é uma arte. Um grande administrador deve considerar sempre seus objetivos e encontrar um meio termo que agrade todos os lados. Isso as vezes requer a humildade de aceitar pequenas derrotas, ou rever suas políticas anteriores. É assim que defino, pessoalmente, a administração exemplar.    

    Há um mês atrás sentado em um chalé de esqui nos Alpes italianos, eu chorava profusamente. Mudando o canal freneticamente entre a CNN, France24, e a BBC assistia imagens privilegiadas do Massacre em Gaza. Chamo-as de privilegiadas pois nem todos os paises do mundo contam com tantos veículos de comunicação com agencias próprias. Por isso muitos não puderam ver a realidade do episodio. 
    O governo Israelense tem tomado a posição de que a invasão e bombardeio de gaza, que matou tantas crianças, mulheres, e civis em geral, foi um sucesso. Pergunto: Como? Mil vezes, como? Fiquei calado sobre esse assunto durante semanas aqui no blog por temer que minha emoção distorcesse impedisse um discurso objetivo. E por mais que receio ser atacado como isso ou aquilo por minhas opiniões, os recentes discursos de Tzipi Livni não me permitem continuar calado. A ministra de Relações Exteriores ousou exclamar que “a vitória” de Israel deveria servir como um exemplo do que pode ser feito no Oriente Médio. Não posso concordar. Nos meus olhos a tal vitória foi nada mais que um holocausto. O extermínio sistemático durante vinte e tantos dias de uma população que ao passar das décadas foi cada vez mais encurralada em um pequeno território. Tudo isso às mãos de um povo que a pouco tempo sofreu desgraças semelhantes. Como disse Churchill “independente da beleza da estratégia, ocasionalmente deveria se olhar o resultado.” Até onde a lógica pode intervir no bom senso.    Não pretendo defender as violências cometidas pelo Hamas. Muito menos saber como resolver as cicatrizes que sobraram de tantas injustiças cometidas pelos dois lados. Mas me ocorre que não se passa de uma questão administrativa. Acredito que Israel deveria agir como a democracia mais experiente que é, e chegar a um acordo mutuamente agradável para resolver este conflito. Enquanto não enxergarem que o convívio sustentável (termo que deveria ser redundante por principio) se baseia no equilíbrio de satisfação, a paz continuará sendo um sonho. A boa administração requer cedências.
    Diante do discurso da ministra e as recentes ações prefiro me abster de opinar muito além do que já fiz, e assim fecharei o texto relembrando dois ditados. O primeiro do jornalista G.K. Chesterton direciono a tantos veículos do mundo que compraram um lado do conflito cegamente. “Falácia não deixa de ser falácia somente por virar moda”. E por ultimo algo dito pelo ex-presidente dos Estados Unidos Andrew Jackson, “Um homem de valor defende aquilo em que acredita, mas requer um homem ligeiramente melhor do que este para ceder imediatamente e sem restrição quando esteja errado.”

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Back to Business


    Engraçada a relação tão intrínseca do mundo com a economia. No início do século vinte o Carro Elétrico dominava. A eletricidade era produzida à base de combustíveis fosseis para carregar a bateria dos carros. Mas com o desenvolvimento das Economias de Produção surgiu um aumento da dependência sobre o Veículo, e consequentemente um aumento de vendas. E com isso surgiu uma oportunidade no mercado. Por que extrair combustíveis, para então gerar eletricidade, e depois carregar o carro? Poderosas como Standard Oil (Exxon Móbil), logo viram que não se precisava mais do “middle-man”. Podiam simplesmente refinar o óleo e vender gasolina diretamente. Cem anos depois, em meados de uma crise das grandes produtoras de veículos, são os mesmos incentivos econômicos que revitalizaram das cinzas o modelo Elétrico.
    Detroit anuncia este ano seu plano para começar (voltar) a produzir carros eléctricos. Para aqueles que pensam que os motivos são ambientais, pensem novamente. A maioria da eletricidade produzida nos Estados Unidos vem da queima de Carvão. Para os que não sabem a queima de carvão é a forma mais danosa ao ambiente de se gerar eletricidade. E diante das tecnologias de produção de eletricidade virtualmente limpas à base de vento (veja ao lado minha foto na Alemanha) e água, podemos descartar a defesa dos propósitos ambientais. Mas então por que será?
    Lá vem a economia de novo. Pergunto: O que fariam empresas como a Exxon Móbil se de um ano para o outro os carros do mundo não precisassem mais de seus produtos? Falência, crise econômica, caos... E lógico com tantas noticias informando essas multinacionais que o mercado esta começando a andar nesta direção estas começariam a inovar sua oferta de produtos, integrar novos métodos (etanol, biocombustível, etc.). Esquisito que a Exxon Móbil acaba de votar em sessão fechada a continuar o investimento na produção de petróleo? Já matou a charada?
    A verdade é que quando Detroit começar a produzir estritamente carros elétricos, os EUA poderão abandonar o carvão e simplesmente ajustar sua produção elétrica para a base de petróleo. Assim, não matarão de noite para o dia um dos mercados mais importantes a sua economia nos último século. Afinal, seja o petróleo Americano ou não, são as empresas deste pais que controlam a maioria do transporte marítimo internacional do produto (onde mais se lucra).
    Porém, a campanha de propaganda já funcionou. A CNN e a Reuters fizeram com que o mundo ficasse feliz com a idéia. Foi um esforço tão eficiente quanto aquele que faz o carioca pensar que está andando de metro enquanto fica em pé num ônibus de Copacabana à Barra.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

MendigoChic e o FashionRio




    Com o virar de cada ano, o Tempo adquire novos sentidos. Quando era jovem um dia parecia eterno, hoje uma semana pode passar despercebida. Aos oitenta como será? Por isso decidi tentar coisas novas este ano. Para aqueles que me conhecem é obvio que não sei nada de Fashion (como fica aparente no meu estilo MendigoChic: havas e roupas aos pedaços). Mas como frequentei o primeiro dia do Fashion Rio este ano, pensei “que forma mais adequada de começar algo novo, do que sabendo nada.”
    Algumas coisas me espantaram, além das roupas de alguns também freqüentadores, e por isso decidi colocar aqui o que presenciei.
    Primeiramente, como jornalista, ou pelo menos pretendente, fiquei chocado em ver dentro do Lounge do Jornal do Brasil, um agradecimento à NET que até onde eu saiba é da Globo. A Globalização está realmente funcionando, pelo menos no Brasil.
    Também fiquei espantado com o Lounge do Caderno Ela, talvez uma das publicações mais prestigiosas a terem um Lounge, que estava um forno durante as primeiras horas do evento.
    O que mais me espantou, porém, foi a fila da primeira passarela que foi de uma marca para crianças. No primeiro verdadeiro sol de verão que tivemos no Rio este ano dezenas de pessoas aguardavam ansiosos. Nunca poderia ter imaginado que existia tanta demanda por coleções de roupas de criança. Mas aparentemente, como fui informado por minha amiga e grande jornalista, Julia Morales (http://nossoarmario.blogspot.com), a quem fico muito grato por ter me ajudado a penetrar o evento, o mercado de roupa infante-juvenil no Rio cresce muito.
    Coincidentemente tive uma idéia. Já que a taxa de donos de cachorro no rio é o dobro da taxa de pais, talvez seria um mercado interessante também...camisas do flamengo, chapéus caninos, etc. Procuro investidores.
    Mas eu que nada sei do assunto e até ontem pouco me interessava admito que estava levando o evento meio na farra, observando as beldades presentes, e desfrutando o ambiente agradável da Marina da Gloria. Isso foi até que começou o primeiro desfile. Congelei. As luzes apagaram. O baixo reverberando na tenda. De repente as luzes da passarela acendem e a primeira modelo deslumbra como uma estatua animada. O ambiente, as pessoas, o glamour... eletrizante!!!
    Fora algumas coisas risíveis talvez por algum preconceito meu ou pura ignorância, achei o evento super-interessante. Um tribo realmente diferente daquilo que imaginava pela mídia.
    Com isso encero minha primeira nova experiência de 2009. Foi proveitosa pois aprendi algo. E sei que se algum dia ouvir as criticas levianas e costumarias sobre este mundo peculiar, defenderei aquilo que posso. Claro, ainda me vestindo como um MendigoChic.

 
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